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sábado, 8 de março de 2014

[Rimas e Poesia] - Dia da Mulher



Ser Mulher é ser menina, é ser filha, é ser sobrinha. 
Ser mulher é ser mãe, é ser esposa, é ser uma senhora.
 É pôr um sorriso nos lábios e parecer que está tudo bem quando na verdade tem o peso do mundo nos seus ombros e tudo se desmorona à sua volta. 
É mais que ser dona de casa, é mais que ser psicóloga, médica, cabeleireira ou qualquer outra profissão que escolha. 
Ser mulher é acordar despenteada e mesmo assim ser linda, ser mulher é ser independente dentro da dependência que tem dos outros. 
Ser mulher é ser mais. 
Ser mulher é beleza, tenha ela a aparência que tiver. 
Ser mulher é andar a noite toda em cima de uns saltos altos, é no dia seguinte andar de ténis e fato de treino. 
Ser mulher é estar ao lado daqueles que mais se ama. 
Ser mulher é arranjar as unhas, e o cabelo..apenas para se sentir bem. 
Ser mulher é lindo...

Dia das Mulheres é todos os dias 

Feliz Dia mulheres da minha vida*

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

[Rimas e Poesia] - "O resto são coisas de nada, com que preencho os dias…" de Emílio Miranda





O resto são coisas de nada, com que preencho os dias…

Acordo, de olhos fechados,
E ensaio os passos com que vou atravessar
O sol que rasga as persianas do meu sono.
Adormecido, o teu corpo freme no sonho
Ainda sentido. Sorrio. Num bocejo toco o chão
Frio que me liberta dos últimos laços da noite
E cruzo a imensidão que me desperta,
Impávido, no espelho onde
Barbeio as sombras com a lâmina do olhar…
Uma eternidade depois,
Regresso para te beijar e saio, contrafeito,
Rumo ao mundo que me espera no fecho da porta.

O resto são coisas de nada, com que preencho os dias…
Emílio Miranda

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

[Rimas e Poesia] - "O que desejo?" de Emílio Miranda





O que desejo?

Se te perguntarem o que desejas
Porventura hesitarás antes de responder
Pois os desejos quando revelados
Perdem a magia
E pensarás
O que desejo?
Desejo os dias todos
E as noites
E o sol na noite
E as estrelas nos dias
E então
Naturalmente dirão
O louco
Por isso hesitante
Sorrirás
E depois
Sensatamente
Responderás com o silêncio
Ou em palavras dirás
Somente
O que desejo?
Ora
Nada mais do que o desejo que ninguém quer
A vontade que a ninguém deseja
Porque sabes que se ninguém a quiser
Serás o mais rico
De todos os ricos
O que possuíres será apenas teu
E não saberão que desejas o céu…
Emílio Miranda 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

[Rimas e Poesia] - "Saudades, vô"



Saudades, vô
Saudades, Vô...
da tua essência tão pura
humildade
Saudades, Vô...
de tua santidade
tão simples
Saudades, Vô...
do teu abraço , forte
sem medo
Saudades, Vô...
dos teus passos, firmes
Saudades, Vô...
da tua teimosia
tão sábia
Saudades, Vô...
do teu espírito jovem
Vô, o senhor era invencível ao tempo!
Guerreou uma batalha contra a morte

Mas ela venceu.
Só aqui
Porque no céu
Ressuscitaste!
Saudades Vô...
Ibeane Campos Moreira

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

[Rimas e Poesia] - "Alegria Disfarçada" de Maria do Rosário Palma




Alegria Disfarçada
Uma lágrima escorreu-lhe na face
Cerrou os olhos por breves momentos
E como se já nada mais importasse
Deixou-se levar nos seus pensamentos.

Ao som dum vinil já velho e riscado
Imóvel e serena, assim ficou
Lembrando momentos do seu passado
E da ferida no peito que nunca sarou.

Pegou numa garrafa quase vazia
Bebeu p'ra brindar ao quê? sem saber!
E nesta sua falsa alegria  
Dançou uma valsa ou outra dança qualquer.

Num sentimento já meio confuso
Assim já meio embriagada
Ela sentiu-se tão vazia de tudo
Ela sentiu-se tão cheia de nada.

Veio a noite, escura e fria
Que não tardou em chegar
Calou-se de vez  a melodia
Que o velho vinil parou de tocar.

 Maria do Rosário Palma

sexta-feira, 12 de julho de 2013

[Rimas e Poesia] - "A Concha Perfeita das Tuas Mãos" de Alice Vieira



A CONCHA PERFEITA DAS TUAS MÃOS

sei um jeito de te fazer ficar
murmuravas nas manhãs em que nascíamos
ávidos de nós
e éramos tão novos
e faltávamos às aulas

posso ter esquecido admito muita coisa
caminhos promessas lugares a cor
da saia que vestia no dia em que não voltei
muita coisa admito menos
a concha perfeita das tuas mãos sobre o meu peito
o cheiro das laranjeiras as cartas
em papel tão adolescente e azul
o esplendor de junho à mesa familiar
os espelhos garantindo-nos um lugar único na casa

posso ter esquecido admito muita coisa
menos os nossos corpos simultâneos
às portas do amor

no arco da minha pele que humidamente
se abria ao lume da tua língua

nessas manhãs em que jurámos
não morrer nunca

In “Dois Corpos Tombando na Água”
Alice Vieira

sexta-feira, 14 de junho de 2013

[Rimas e Poesia] - "Tenho Tanto Sentimento" de Fernando Pessoa



Tenho Tanto Sentimento  
Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

sexta-feira, 17 de maio de 2013

[Rimas e Poesia] - "Destranca o teu Coração" de Ana Rita Rendas


Destranca o teu Coração

Tu não queres desaparecer, 
Anda dá-me a mão,
Só queres parar de sofrer,
E matar a dor no teu coração

Hão-de vir dias bons,
Que os maus hão-de espancar,
Hão-de vir novos sons,
Para te fazer sonhar!

Anda lá, tenta acreditar
Quue o mau não dura para sempre,
Que o bom te irá visitar,
E de forma muito presente!

Mas a felicidade não consegue entrar,
Dentro de portas trancadas,
Tens que as destrancar,
Não as podes deixar fechadas!

Se não é tu quem está a impedir,
O teu coração de conhecer a felicidade
És tu quem não está a ouvir,
O chamamento da verdade!

Estou aqui para te amparar,
E para te sorrir,
Estou aqui para te mostrar,
Que há um caminho por descobrir!

Ana Rita Rendas

sexta-feira, 10 de maio de 2013

[Rimas e Poesia] - Fado do Estudante






Fado do Estudante


Que negra sina ver-me assim
Que sorte e vil degradante
Ai que saudades eu sinto em mim
Do meu viver de estudante
Nesse fugaz tempo de Amor
Que de um rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar cabeça ao léu
Só para amar vivia eu, sem me ralar
A vadiar e tudo mais eram cantigas
Nenhuma delas me prendeu
Deixá-las eu era canja
Até ao dia que apareceu
Essa traidora de franja
Sempre a tinir sem um tostão
Batina a abrir por um rasgão
Botas a rir num bengalão e ar descarado
A vadiar com outros mais
E a dançar para os arraiais
Para namorar beber, folgar cantar o fado
Recordo agora com saudade
Os calhamaços que eu lia
Os professores da faculdade
E a mesa da anatomia
Invoco em mim recordações
Que não têm fim dessas lições
Frente ao jardim do velho campo de Santana
Aulas que eu dava se eu estudasse
Onde ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana
O Fado é toda a minha fé
Embala, encanta e inebria
Pois chega a ser bonito até
Na radio-telefonia
Quando é tocado com calor
Bem atirado e a rigor
É belo o Fado, ninguém há que lhe resista
É a canção mais popular, tem emoção faz-nos vibrar
Eis a razão de eu ser Doutor e ser Fadista

 Vasco Santana

sexta-feira, 19 de abril de 2013

[Rimas e Poesia] - "Lágrima de Preta" de António Gedeão



Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão

sexta-feira, 5 de abril de 2013

[Rimas e Poesia] - " Sentido da vida" por Ni Rodrigues





Sentido da Vida

Um olhar, no nada!
Um pensamento, em tudo!
Ausente de uma vida errada,
Tentando concertar o mundo.
O céu, onde quer voar,
O chão, de onde quer fugir, 
Viver livre para sonhar,
E viver a vida a sorrir.
Nem tudo é o destino,
A vontade pode mudá-lo,
Para a vida fazer sentido,
Apenas basta senti-lo...
Ni Rodrigues

sexta-feira, 15 de março de 2013

[Rimas e Poesia] - "Tatuagem" de Marc Valenz




TATUAGEM 
(-Marc Valenz)
(Derecchos reservados)

Se eu fosse uma tatuagem em seu corpo
Qual seria o meu lugar?
Eu estaria em tantos lugares.
Por exemplo:
Na pele mogno
Pela escultura do seu pescoço
No jóias do seu rosto
Nas escadas de seus lados
Ó ereto sobre duas montanhas.
Em alguma curva ou canal
Ou em suas mãos fazer as coisas.
Talvez em seus membros são asas
No cóccix silencioso
Talvez a sua marcha coxas
Ou em seus tornozelos nus,
Ou em seus pés caminhando sobre a direita.

Se eu fosse uma tatuagem em seu corpo
O que seria de mim?
Seria muitas coisas.
Um close mole para o seu
Colares em seus braços
Estrelas como brincos
Meu nome em sua volta
Meus lábios no final de sua coluna.
Uma onda de tempestade do mar
Um monstro do mar para defender
Ou a águas tranqüilas de um lago.
Um olhar curioso entre seus seios
Uma Rosa para Vênus
Um sol para o inverno
Uma cruz vazia
Ou uma lua em seu ventre
dormir em paz esta noite.

Se eu fosse uma tatuagem em sua alma
O que seria de mim?
Uma âncora para estacionarme em seu mundo
Um coração para com a sua perpetuidade
Um navio de seus sonhos
A bem de sua propriedade
Lenço para suas lágrimas cinza
A palavra certa na hora certa
Despensas, ternura, amor e paixão
Um livro aberto com os meus poemas para sua honra
O altar de seu amor infinito
Água para os seus rios
A semente da sua terra.

Se eu fosse uma tatuagem em sua alma
Seria o fogo, imortal e eterna
Eu nunca apagada até a sua morte.

("Tatuaje" libro: "40 E-mail´s de amor" Copyright©Marc Valenz 2010)