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segunda-feira, 28 de março de 2016

[Opinião Tertuliana] - Curiosidades do Vaticano de Luís Miguel Rocha

Sinopse:

Autor bestseller do referencial The New York Times, Luís Miguel Rocha apaixonou milhares de leitores em todo o mundo, com histórias de intriga e mistério passadas no seio da Igreja Católica. Mas partiu demasiado cedo. Cumprindo a vontade do autor, a família e a Porto Editora anunciam a publicação, a 18 de fevereiro, de um livro inédito de não ficção da autoria de Luís Miguel Rocha, intitulado Curiosidades do Vaticano.
Nesta obra, os leitores podem encontrar textos, parte deles publicada pelo autor na respetiva página no Facebook, sobre as mulheres que influenciaram os papas, o interior do Palácio Apostólico, o Papa implacável que transformou Roma, as forças de segurança do Vaticano, os Papas assassinados, a história do conclave e muitos outros temas.



Opinião:

“Curiosidades do Vaticano” é o primeiro livro que leito do autor Luís Miguel Rocha. 
A Porto Editora em conjunto com a família decidiu publicar alguns dos textos que o autor tinha partilhado na sua página do Facebook e lançou este livro onde nos são contadas algumas curiosidades sobre o tão maravilhoso Vaticano. 
Eu tenho imensas curiosidades sobre o Vaticano, uma vez que é um país que se rege segundo as suas próprias leis, tem regras específicas e uma segurança inigualável. 
Sou uma apaixonada pelo Vaticano, pois já lá estive em 2006 e fiquei totalmente rendida. Devoro toda a informação que tenha a ver com este tema, portanto foi com enorme expectativa que comecei a ler o livro do Luís Miguel Rocha. 
É um livro de leitura alucinante e quando nos apercebemos já vamos quase a meio. 
O livro tem capítulos curtos onde cada um aborda uma curiosidade diferente. 
Os capítulos do livro trazem-nos curiosidades surpreendentes e leva-nos a perceber que nem sempre (ou quase nunca) nos chega a verdade do que realmente se passa por detrás dos muros do Vaticano. 
Por exemplo, a morte de determinados Papas que ficaram envoltas em mistério e que foram obviamente abafadas pelo Vaticano, incluindo a morte do Papa João Paulo II. 
Outro assunto não divulgado é a pedofilia, que é interpretada pela igreja de uma forma diferente da nossa. 
É abordado ainda neste livro quais os Papas mais mediáticos quer pela positiva quer pela negativa, como é feita a eleição de um Papa, bem como todas as dificuldades inerentes. 
Luís Miguel Rocha fala-nos ainda do que é necessário para entrar na Guarda e também que é no Vaticano que se situa a linha férrea mais pequena do mundo, com apenas 1400 metros e que está ligada à linha férrea italiana. A separação é feita por um portão automático que só se abre quando algum comboio tem que passar. Esta situação é muito rara, sendo que a última vez que aconteceu foi em 2011 pelo Papa Bento XVI. 

Um livro excelente para quem quer conhecer o Vaticano, e um livro ainda melhor para quem já conhece. 
Ao ler este livro parecia que estava a ver casa pormenor e a relembrar o dia em que lá estive. 
Ah! Não se esqueçam de que o Vaticano é uma das cidades com maior índice de criminalidade do mundo! Existem imensos carteiristas por isso cuidado um dia que o visitem. Evitem levar objectos de valor e principal cuidado no metro que liga o Vaticano a Roma (falo por experiência própria). 

Tenho pena que o Luís Miguel Rocha não tenha tido tempo para nos agraciar com mais alguma historia magnífica. 

Recomendo sem hesitações o livro “Curiosidades do Vaticano” para todos aqueles que tenham curiosidade sobre o que se passa para lá dos muros da Basílica de São Pedro. 

Um livro fantástico que nos mostra que realmente o Vaticano é um mundo à parte. 

Obrigada Luís Miguel Rocha pelo maravilhoso trabalho!

sábado, 26 de março de 2016

[Opinião Tertuliana] - "Regresso a Mandalay" de Rosanna Ley

Sinopse:

Eva Gatsby interrogou-se inúmeras vezes sobre o passado do avô, Lawrence Fox, e o que teria exactamente acontecido na Birmânia, quando ele ainda jovem ali viveu. Eva dedica-se à restauração de antiguidades e os patrões propõem-lhe uma viagem de trabalho àquele país – sobre o qual o avô desde sempre lhe contara histórias fascinantes. É então que Lawrence decide quebrar o silêncio e finalmente falar-lhe do grande amor da sua vida, Maya, a mulher que nunca esqueceu. Numa tentativa de sarar as feridas do passado, confia a Eva uma missão que se revelará de contornos imprevisíveis. Eva inicia, assim, uma jornada que irá reconstruir o mosaico da história da família e que em simultâneo a obrigará a confrontar-se com sua capacidade de voltar a acreditar no amor.

Opinião:

Regresso a Mandalay é uma história que nos transporta para as inebriantes paisagens da Birmânia, hoje em dia conhecida como Myanmar.
Quem nunca sonhou com um destino como este?
Eva Gatsby cresceu a ouvir as histórias do avô sobre o país onde ele foi feliz. Desde sempre que Eva teve curiosidade em conhecer Myanmar e vê essa oportunidade surgir quando a patroa da sua empresa lhe pede para ela ir à Birmânia avaliar peças para a loja de antiguidades onde trabalha como restauradora.
Eva vê nesta viagem a oportunidade perfeita para conhecer o país do qual o avô tanto fala, bem como conhecer o seu passado e a mulher que ele tanto amou.
O avô de Eva pede-lhe para encontrar o amor da sua vida, uma mulher que o marcou para todo o sempre, e com quem manteve uma relação no passado.
O avô nunca contou a Eva todos os segredos daquilo que viveu em Myanmar e vê agora uma oportunidade para a neta ficar a saber mais, caso encontre o seu único amor - Maya.
Lawrence pede ainda a Eva que caso encontre Maya, esta lhe devolva um Chinthe, uma peça birmanesa de elevado valor, e que Maya lhe tinha entregue antes deste ir para a guerra.
No entanto, a Birmânia é sempre um motivo de discórdia na família de Eva, pois Rosemary, a sua mãe, nunca entendeu a paixão do seu pai por este país e pela mulher misteriosa a quem ele escreveu cartas que nunca enviou, e que a levou a afastar-se do seu pai. Depois da morte do marido, o pai de Eva, Rosemary decide largar tudo e ir viver para outro país, afastando-se assim do pai e também da sua filha que ficou a viver com os avós.
Eva está muito entusiasmada cm a ida à Birmânia e através desta vamos, aos poucos, conhecendo o país, tanto a nível político como histórico e cultural.
Uma história narrada a 3 vozes, a de Eva que nos descreve a Birmânia da actualidade, a de Lawrence que nos descreve a antiga Birmânia bem como a Segunda Guerra Mundial, e ainda o país relatado pela perspectiva de Maya.
Ao longo da história Eva vai percebendo que há algo de errado com as peças que lhe mandaram avaliar. Sendo a Birmânia rica em madeira e rubis de Mogok, bem como antiguidades, Eva começa a deparar-se com uma realidade que nunca imaginou.
Um romance com uma boa dose de mistério e aventura que nos deixa sempre a querer ler mais e mais.
Rosanna Ley transporta-nos para um livro com paisagens muito bem descritas, com bastantes segredos que vão sendo revelados ao longo do livro, culminando num final extraordinário.
Um livro que descreve pormenorizadamente a cultura e as vestes deste país que só nos faz desejar um dia visitá-lo.

Recomendo vivamente este livro. Fiquei agarrada a ele do princípio ao fim. Adorei!


Para quem o quiser adquirir, podem fazê-lo através do site da Wook aqui.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

[Opinião Tertuliana] - "Pura Coincidência" de Renée Knight



Sinopse:
E se de repente se apercebesse de que é o protagonista do aterrador romance que está a ler? Catherine tem uma boa vida: goza de grande sucesso na profissão, é casada e tem um filho. Certa noite, encontra na sua mesa de cabeceira um livro com o título “O perfeito desconhecido”. Não sabe como terá ido parar ao seu quarto ou quem o terá ali posto. Ainda assim, começa a lê-lo e rapidamente fica agarrada à história de suspense. Até que, depois ler várias páginas, chega a uma conclusão aterradora. O perfeito desconhecido recria vividamente, sem esquecer o mais ínfimo detalhe, o fatídico dia em que Catherine ficou prisioneira de um segredo terrível. Um segredo que só mais uma pessoa conhecia. E essa pessoa está morta.

Opinião:
Imagine que começa a ler um livro e percebe que a protagonista e a história de vida é igual à sua e que relata um segredo que há 20 anos tenta esconder da família e que não quer de todo que seja revelado.
É isto que acontece a Catherine quando aparece no seu quarto um livro intitulado “O Perfeito Desconhecido” e que vira a sua vida do avesso.
Catherine pensava que o seu segredo só era conhecido por uma pessoa, pessoa essa que está morta, mas afinal existe mais alguém que tem conhecimento do seu segredo e que vive obcecado em contar a verdade e destruir a vida de Catherine, algo que consegue quando o livro chega também às mãos do marido e do filho desta.
O livro é narrado a duas vozes, Catherine e o autor do livro “O Perfeito Desconhecido” e conforme avança a narrativa, a nossa curiosidade vai sendo aguçada, pois vemos o que o segredo de Catherine vai provocando nas pessoas da sua vida e ficamos sempre com a sensação de que há algo mais a ser revelado.
Somos arrastados para acontecimentos arrepiantes que nos levam a criar julgamentos errados. Uma prova de que existem sempre dois lados numa mesma história e não ir pela ilação mais lógica.
Uma história perturbadora que nos engana e nos leva pela teoria mais fácil que faz com que sejamos apanhados desprevenidos, pois envolve segredos e vingança que podem destruir uma família.

“Pura Coincidência” apresenta um final inesperado com uma grande e surpreendente reviravolta. Um thriller psicológico que prende o leitor desde o início.

E não se esqueçam: “Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.”

[Opinião Tertuliana] - "Doce Tortura" de Rebecca James



Sinopse:
Quando Tim Ellison encontra um quarto barato para alugar num dos melhores locais de Sydney, parece um golpe de sorte: estará perto do restaurante onde trabalha e ainda mais perto do seu lugar preferido para praticar surf. Mas há uma condição para que possa arrendar o quarto: Tim terá de fazer todos os recados à misteriosa dona do quarto, uma mulher muito reservada e pouco amistosa, que nunca abandona a casa. Tim esforça-se cada vez mais por conhecer melhor a figura inquietante de Anna. A princípio muito reservada, ela começa a revelar-se aos poucos: a sua história, a sua tristeza, os seus medos paralisantes. É então que começam a acontecer coisas estranhas na casa: golpes a meio da noite, figuras inexplicáveis nas sombras, mensagens sinistras nas paredes. Tim assusta-se porque, ao mesmo tempo que o seu desconforto em relação àquela casa vai aumentando, crescem também os seus sentimentos pela bela e misteriosa dona da casa. Que tipo de pessoa será Anna London: alguém que merece compaixão, alguém para amar ou alguém para temer?

Opinião:
Nunca tinha lido nada de Rebecca James, portanto agarrei neste livro sem qualquer tipo de expectativas. Gosto imenso deste género literário e, como tal, assim que agarrei no livro só parei quando acabei de o ler. Posso dizer-vos que li este livro em 6 horas.
Neste livro, Rebecca James conseguiu criar um enredo extremamente interessante, alternando entre mistério, suspense e algum terror.
Doce Tortura é uma história contada sob dois pontos de vista. Por um lado temos Tim, um jovem normal, sem grandes ambições, que gosta de surf, trabalha num restaurante e precisa com urgência de um lugar onde possa morar, pois vive temporariamente com a ex-namorada e é através dela que consegue alugar um quarto na maravilhosa mansão em Fairview, um bairro luxuoso, propriedade de uma jovem de 18 anos, Anna London.
Por outro lado temos Anna, dona da mansão, órfã, enigmática, reservada e gravemente perturbada pela perda trágica dos pais, que apresenta um comportamento bastante estranho, isolando-se e desaparecendo para o sótão durante o dia. Anna aluga o quarto a Tim na condição de que ele lhe faça as compras pois ela não sai de casa.
Anna tem apenas dois amigos, Fiona Harrow e Marcus, que são irmãos e que se preocupam bastante com Anna mas que apresentam comportamentos estranhos e são bastante misteriosos aos olhos de Tim. Tim por seu lado tem apenas Lilla, a sua ex-namorada, uma pessoa irritante e habituada a ser o centro das atenções, pela qual ainda se sente atraído mas ao mesmo tempo não consegue deixar de recordar a relação obsessiva que viveram.
Ao início, tudo vai correndo minimamente bem apesar do ambiente estranho da mansão.
Com o desenrolar dos dias vão acontecendo coisas estranhas e macabras, tais como ruídos inexplicáveis durante a noite, choro, coisas destruídas e uma frase escrita numa parede: “A morte vive aqui.”, o que deixa Tim bastante desconfortável.
Este começa a ficar de pé atrás com a decisão tomada de se mudar para a mansão no entanto sente-se intrigado com os constantes ataques de choro de Anna, uma vez que não combinam com fragmentos de uma outra Anna que vai conhecendo em determinadas alturas do dia.
No decorrer da leitura vamos tendo a noção de que há algo que não encaixa, mas a autora consegue manter-nos em suspenso até ao fim. É uma leitura que mexe psicologicamente com o leitor e que aborda de forma explícita a depressão, a agorafobia e os ataques de pânico e de ansiedade.

Adorei o livro, não só por ser uma leitura fluída, como também por ter mantido o leitor agarrado até ao fim. Uma fantástica leitura que alterna entre o romance e o thriller e que aborda não só a dor da perda, que é salientada desde o início do livro e que só tomamos real conhecimento quando Anna decide mudar drasticamente de comportamento, como também a crueldade, o egocentrismo e o egoísmo de uma pessoa que só se preocupa consigo mesma sem medir as consequências dos seus actos.

Um livro a não perder para quem gosta do género. Vai sem dúvida tornar a vossa estante mais rica.