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quinta-feira, 12 de junho de 2014

[Opinião] - "Perdoa-me" de Lesley Pearse



"Não sintas ciumes ou irritação do meu passado ou dos meus antigos amantes, porque quem eu sou agora, aquilo de que gostas em mim, é o resultado das experiências que tive com outras pessoas e do modo como me influenciaram." 









Já todos devem saber que Lesley Pearse é das minhas autoras preferidas. Já li todos os livros dela e é raro aquele que eu gosto menos, aliás, geralmente adoro. 

Escusado será dizer que fiquei entusiasmada quando soube que ia ser editado mais um livro seu em Portugal, "Perdoa-me" seria o título. Fiquei ainda mais extasiada quando soube que a autora estará em Lisboa nos dia 13 e 14 deste mês, e que poderei conhecê-la.

Assim que tive este livro na minha mão não consegui deixá-lo na estante e tive que lhe pegar. Andou a acompanhar-me nos últimos dias, e sempre que tinha um bocadinho livre, em especial nos transportes públicos, li-a-o afincadamente.

Mais uma vez, Lesley Pearse não desilude. Um bom livro e uma leitura que me agradou. No entanto, esta não foi uma das minhas leituras preferidas, nem me deixou com um sentimento de "vazio" quando o fechei e enfrentei o "meu mundo sem as personagens do livro". 

Algo que gosto imenso nos livros desta autora, é o contexto geográfico e histórico que envolvem toda a história. Vários dos livros da autora se passam em épocas antigas, as quais não vivi, e que portanto me levam a viajar no tempo. Leva-nos por sociedades diferentes, com estilos de vida que nos são desconhecidos. Para além disso leva-nos até lugares longinquos, e descreve-os de modo a que possamos facilmente entrar na viagem dos personagens como sendo nossa. 

Ao longo dos livros que já li desta autora já estive na América, passei pela febre do Ouro, já estive presa num barco e numa ilha, já vivi na cornualha... e muitos mais locais que me fascinaram.

Este livro passa-se na época na qual cresci, ou seja, passa-se nos anos 90. Pessoalmente prefiro quando Lesley nos leva ao século XVIII e XIX, com os longos vestidos que as personagens utilizam e os meios de transporte da época. Parece que o facto de nos transportar para uma época tão próxima da actualidade perde um pouco da magia que é a nossa imaginação. Geralmente os livros da autora levam-nos também para momentos "criticos", por exemplo, "A Promessa" passa-se na primeira guerra mundial, ou seja, a autora habituou-nos a uma contextualização histórica que é, a meu ver, um dos seus pontos fortes. 
As viagens também são poucas neste livro. A personagem principal muda, realmente, de local para local, não havendo, no entanto, muitas descrições que nos levem a "vaguear" por esses locais. O único local que me encantou neste livro foi a Escócia.

Algo a que Lesley também nos habitou foi ao seu lado um pouco "George Martin", ou seja, a matar grande parte dos personagens, e em especial aqueles por quem nos afeiçoamos. Claro que este livro não é excepção. e começa logo com uma morte. No entanto, as mortes neste livro não são "a ordem do dia". - não estou a criticar, achei bastante inteligente o modo como a autora conduziu o enredo, foi algo que gostei.

Neste livro conhecemos Eva, uma jovem que, após perder a mãe vê a sua vida virada do avesso. Tudo aquilo que julgava real se torna no seu pior pesadelo, e apercebe-se que sempre viveu uma enorme mentira. Ao decidir perceber afinal qual é a verdade desenterra segredos do passado que vão revirar ainda mais o seu mundo e o mundo de muitos que a rodeiam.

Eva é uma personagem que sofre bastante ao longo do livro, e que encontra sempre maneira de resolver os seus problemas e de levantar a cabeça. Este género de personagens femininas é imagem de marca da autora. É algo que eu gosto imenso, pois pessoalmente faz-me sentir proxima da personagem, e faz-me pensar que há sempre uma luz a seguir, mesmo quando tudo parece tão negro.

Algo que gostei neste livro foi o facto da autora nos trazer algum mistério ao redor de Eva, Flora e do passado de ambas. Até meio do livro vai-nos aguçando a curiosidade sobre o que estará escondido no passado de Eva e de Flora. Até que começamos a ligar as peças do puzzle e apensar, "não pode ser...". 

Apesar da personagem principal ser Eva, ao longo do enredo conhecemos diversas personagens com papeis muito importantes e às quais nos afeiçoamos. Ben, Patrick e Phil são as minhas personagens preferidas, em especial pelos traços das suas personalidades e pela influencia que têm na vida de Eva.

O final do livro não me cativou. Esperava algo com mais impacto, no entanto posso dizer que, para Eva, é um final feliz, ideal para as romanticas incuráveis, tal como eu. 

Fãs de Lesley, é claro que têm que ler este livro. É um registo diferente do que a autora nos habituou, e é, clro, uma boa leitura. Tenho a certeza que vão gostar, e gostaria que partilhassem as vossas opiniões comigo depois de o lerem.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

[Opinião] - "Rosa Cândida" de Audur Ava Ólafsdóttir



"Sempre que queria estar sozinho com a minha mãe, ia ter com ela à estufa ou ao jardim. Era aí que podíamos falar. Por vezes ela parecia distraída e eu perguntava-lhe em que estava a pensar, ela dizia: Sim, sim, gosto do que dizes. E depois oferecia-me um sorriso encorajante de aprovação.(...) É difícil explicar ao meu pai, com palavras, o meu mundo e o da minha mãe. Interessam-me as coisas que nascem de solos férteis” 






Admito que nunca tinha ouvido falar de Audur Ava Ólafsdóttir, no entanto o meu repertório de autores nórdicos é bastante diminuto (sendo uma grande falha minha). 

Quando o livro me chegou às mãos fiquei com alguma curiosidade em lê-lo. Em primeiro lugar pela razão já referida antes, porque a sinopse me chamou a atenção e porque achei a capa diferente e belissima com as tonalidades suaves que podemos ver.

Começo já por dizer que não foi um livro que me tenha cativado. Foi,aliás, uma leitura lenta e morosa e que tive dificuldade em resistir à tentação de o pôr de parte. No entanto, e tendo depois reflectido sobre o mesmo, há alguns pontos interessantes que eu gostaria de abordar sobre esta leitura.

Neste livro encontramos mais do que simples palavras e mais do que uma simples história de amor. Com bastante simplicidade, Audur Ava Ólafsdóttir fala-nos de um amor delicado e absoluto. Podemos ler e sentir, ao longo de todo o livro, o sentimento enorme relativamente à natureza, em especial às flores (e às rosas claro). Esse amor chega até nós de forma sensível, e estranha talvez para quem nunca tenha parado para pensar que poderemos adorar tanto as plantas, a natureza ou aquilo que nos rodeia. Para além disso este amor é quase, atrevo-me a dizer, metafórico, simbolizando o amor materno. 

Lobbi vive com o pai, octogenário, e o irmão autista, Josef. No inicio do livro deparamo-nos com uma família desamparada, desfragmentada, devido ao falecimento do seu elo de ligação: a mãe de Lobbi e Josef. Lobbi decide então deixar tudo para trás, e partir, rodeando-se pela natureza, seguindo o conselho da sua mãe para que se dedique à estufa e à natureza, em especial à Rosa Cândida.

O facto deste ser um livro que nos leva para o mundo natural das plantas e das flores faz com que, por vezes, quase consigamos imaginar as cores e as fragrâncias que envolvem Lobbi. É uma sensação quase mágica e que eu, pessoalmente, nunca tinha tido ao ler um livro cujas emoções que me suscita são tão ambivalentes.

Para além de toda a sensibilidade que envolve o que referi até agora, para mim foi interessante perceber a complexidade das personalidades destas personagens, o modo como cada um viveu a perda da mãe/esposa, e a complexidade de relações familiares que vamos encontrando entre eles.

Um outro ponto do qual gostei é que ao longo da leitura vamos acompanhando o amadurecimento de Lobbi, e vamos constatando que o "rapaz" se torna "homem". 

O ritmo impresso através da escrita da autora foi algo que não ajudou a que desse um valor maior ao livro. Achei lento e, por vezes, entediante o que fez com que demorasse muito tempo a acabá-lo.

Também a inexistência de uma localização geográfica me agradou menos. Eu gosto de ir situando o enredo num espaço, poder viajar com o livro. Neste caso a viagem foi quase como uma ilusão, não podendo dar uma "cara" ao espaço que nos ia sendo relatado.

Posso, então, concluir que esta foi uma leitura que não me encantou, que se situou, por vezes, em polos tão opostos que quase não consigo dizer que gostei ou que não gostei. Uma leitura....diferente.
Não posso terminar sem deixar de referir que este foi um livro que me fez olhar o amor como uma rosa.... como algo que precisa de ser cuidado para que floresça bonito e saudável.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

[Opinião] - "O Ano em que me apaixonei por todas" de Use Lahoz





"A Chave da Vida é vivê-la sem medo"

"Dizem que uma pessoa é do local onde se apaixona"

"Os desencontros são geniais, mantêm a esperança na perfeição"








"O ano em que me apaixonei por todas" conta-nos a história de Sylvain, um adulto jovem parisience que viaja para Madrid atrás de um amor antigo, e dos seus amores e desamores. Na verdade o titulo chamou-me a atenção e o facto de, na sinopse, referir o Sindrome de Peter Pan (o qual fui pesquisar e fiquei curiosa) fez com que quisesse lê-lo.

O inicio do livro é lento e sem acção o que fez com que estivesse quase a desistir da leitura. Mas ainda bem que insisti porque depois teve algumas surpresas.

Este livro é-nos narrado por Sylvain, o que para mim torna um bocadinho complicada a leitura pois não é o meu género de leitura preferido. Inicialmente a leitura é algo disconexa e parece que nada ali faz sentido, até ao momento em que conseguimos, realmente, apanhar o fio condutor do enredo...e é aí que a vontade de chegar ao fim do livro surge.

Sylvain tem 30 anos e, devido ao seu sindrome, tem alguma dificuldade em crescer. É um homem que foge das responsabilidades, pensa pouco na vida mas pensa muito nos seus amores e naquilo que as suas mulheres poderão pensar dele.

Sinceramente a personagem de Sylvain não me despertou qualquer interesse. Talvez tenha sido mal abordada pelo autor pois a sinopse sugere que poderia ter imenso interesse. Na verdade o sindrome de peter pan é apenas abordado nas entrelinhas, tendo sido algo decepcionante não ter sido abordado mais profundamente, tornando também o personagem mais coerente e complexo. Senti falta disso nesta leitura.

No entanto, alguns dos outros personagens agradaram-me bastante, em especial Monsieur Tartin, que reparava corações danificados por desgostos amorosos (e que claro reparou o coração de Sylvain). Este personagem fez-me lembrar um livro que já li e do qual gostei bastante, "A mecânica do coração". É um personagem interessante, culto, e que nos faz pensar sobre a vida com as suas proprias reflecções e citações.


A descoberta, por Sylvain, do manuscrito de Fournier, e consequentemente da sua intimidade é o ponto alto do livro, é a quando alguma acção surge e começamos a ficar mais curiosos. Sinceramente, agradou-me mais a vida de Fournier e as partes do livro em que "liamos" o manuscrito do que propriamente Sylvain, que me atrevo a dizer se torna numa personagem secundária no seu proprio livro. 

Este não é um livro que eu considere das minhas leituras preferidas, foi até dificil de me embrenhar na leitura. É uma leitura que eu sei que não agradará a toda a gente, mas que também sei que deixará algo em quem o ler, tal como aconteceu comigo. 

Deixem-se apaixonar por Madrid, pelo calor Espanhol, e por Monsieur Tartin... e acredito que fecharão o livro e ficarão a pensar nele.


sábado, 22 de março de 2014

[Opinião] - "O Culpado" de Lisa Ballantyne



"O rapaz era o mais novo dos seus clientes até este momento, mas as palavras que lhe ouvia mostravam que estava mais confiante do que muitos dos adolescentes que já defendera. Os olhos curiosos de Sebastian e a sua voz bem-educada e quase jovial desarmaram-no. Quanto à mãe, a colecção de joias que exibia parecia pesar mais do que o seu próprio corpo e a roupa que vestia dava a impressão de ter sido cara. Os ossos finos da mãe, que acariciava a perna do filho, pareciam os de uma ave.
O miudo só pode estar inocente, pensou Daniel (...)"





O Culpado, de Lisa Ballantyne, foi um livro que me chamou a atenção assim que li a sinopse. Para além disso a capa remeteu-me para a solidão e os maus tratos, o que fez com que a vontade de o ler fosse ainda maior.

Esta não é uma leitura leve, nem para se ler com a leveza com a qual, por vezes, lemos os livros que nos cativam. Este livro prende-nos a ele pela sua trama morosa e cruel, pelos contornos das histórias de vida das personagens e pelo ritmo que a escrita lhe imprime.

Geralmente temos tendência a olhar e a pensar as crianças como os seres puros e sem maldade. Será uma criança capaz de cometer um dos mais atrozes crimes? Terá uma criança a capacidade de discernir o bem do mal ao ponto de premeditar e encetar um homicídio?
Em O Culpado Sebastian Croll, 11 anos, é acusado de matar Ben Stokes, de apenas 8 anos.

Este livro encontra-se dividido em três subnarrativas: crimes, culpa e o julgamento. Tal como a sequência sugere a intensidade vai aumentando à medida que lemos, tendo o seu desfecho no julgamento de Sebastian Croll.

No entanto podemos referir que a personagem principal deste livro é Daniel Hunter, advogado de defesa de Sebastian. Através de analepses intercaladas com a acção actual vamos conhecendo a vida de Daniel, a criança que foi e os fantasmas do passado que surgem quando este se depara com Sebastian, e com os quais se debate durante toda a acusação e julgamento.
Será que o nosso passado poderá toldar o juízo que fazemos das pessoas com quem nos deparamos?

A parte que mais gostei no livro foi o julgamento. Conseguir imaginar o tribunal, as alegações dos advogados, as testemunhas e os contra-interrogatórios fascinou-me e foi um dos pontos altos do livro. A história de Sebastian faz-nos sentir um misto de emoções contraditórias, tanto sentimentos empatia com aquele menino de 11 anos como conseguimos questionar a frieza que este apresenta. A história de Daniel é mais pormenorizada e leva-nos através da vida de um menino vitima de maus tratos e negligência que encontra em Minnie, mãe adoptiva, o amor e a segurança que nunca sentira.
O que será que fez com que Daniel afastasse Minnie da sua vida?

No final o desfecho de ambos os casos é bastante previsível, o que fez com que fechasse o livro com um sentimento de que faltava algo, de que esperava mais.

Não foi um livro que me arrebatou mas tem profundidade q.b. para agarrar o leitor até à última página, sempre esperando a reviravolta que nos sustenha a respiração e nos faça arquejar ao ler. Para mim esse colmatar que eu esperava não aconteceu, mas tenho a certeza que muitos dos leitores terão neste livro os ingredientes necessários para ser uma grande leitura.

Fãs do género, não percam esta leitura e não deixem de tirar as vossas próprias conclusões sobre a mesma pois O Culpado é um livro com temáticas tocantes e profundas que merecem a nossa reflexão.


domingo, 2 de março de 2014

[Opinião] - "O Rapaz do Caixote de Madeira" de Leon Leyson


"Um dia (...) ela pegou num pão de forma inteiro e cortou uma grossa fatia para mim, a titulo de pagamento. Vi com espanto a liberalidade com que a barrava com manteiga. Nem me passou pela cabeça a possibilidade de comer tão inesperado tesouro sozinho. Em vez disso, levei-o (...) para a minha mãe. (...) Toda a família partilhou aquela rara guloseima.

Foi um bom dia"









Gosto bastante de livros sobre a Segunda Guerra Mundial e, em especial, sobre o holocausto. Cá em casa somos duas fãs do tema pelo que tenho sempre alguém com quem comentar estas leituras o que torna tudo ainda mais interessante.

"O Rapaz do Caixote de Madeira" é uma história verídica contada por Leon Leyson, o mais novo de uma família judia polaca. Mais um livro que nos remete para as atrocidades cometidas contra milhares de seres humanos. Mais uma leitura que me faz constatar que a maldade Humana não tem limites.

Felizmente esta foi também uma leitura que me deu outra perspectiva, ou seja, não me mostrou só as atrocidades humanas mas deu-me também a conhecer a humanidade e bondade de alguns Homens, neste caso Schindler, e a pequena grande sorte a daqueles judeus que se cruzaram no caminho deste homem. É um grande livro, escrito de forma simples, que nos faz perceber que dar valor ao pouco que se tem por vezes é um dos grandes alicerces para se sobreviver.

Leon Leyson sobreviveu ao holocausto e conseguiu procurar a sua felicidade, agarrando o que de bom a vida lhe deu após tudo o que passou. Um relato comovente e tocante sobre luta, sofrimento e dedicação.

Aconselho a sua leitura.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

[Opinião] - "O Jogo de Ripper" de Isabel Allende




"Os jovens de Ripper raciocinavam com uma lógica que a máquina podia aumentar de forma inverosímil, mas contavam com algo exclusivo do ser humano, a imaginação. Jogavam com plena liberdade, pelo simples afã de se divertirem, e desse modo acediam a espaços interiores onde, de momento, a inteligência artificial não penetrava"









Isabel Allende, atrevo-me a dizer que é das melhores autoras que tenho lido nos últimos anos. Sou fã desde que li "A Soma dos dias" (cuja opinião podem ler n'O tempo entre os meus livros).

Como muitos de vocês devem saber, e porque já referi em diversas opiniões, sou um pouco avessa a livros com grandes descrições que me fazem perder o fio à meada e ter que reler parágrafos anteriores várias vezes.
Pois é, a escrita de Allende é bastante descritiva, algo que poderia fazer com que eu, pura e simplesmente, me fartasse da leitura. No entanto, isso não acontece. Atrevo-me a dizer que é das poucas autoras com quem me delicio a ler as suas descrições pois estas são fenomenais, levando-nos a viajar no tempo e no espaço do enredo, envolvendo-nos de maneira tão intensa e tão complexa que quase nos sentimos parte do livro, não o querendo largar. Em O Jogo de Ripper é precisamente isto que acontece.

Aqui nesta opinião vou dividir a leitura em duas partes por me fazer mais sentido comentar. A primeira parte do livro, aliás grande parte do mesmo (mais de metade talvez), está cheia de descrições, e é onde conhecemos os personagens. Allende, mais uma vez com a sua escrita inverossímil, dá-nos a conhecer profundamente todos os personagens, não apenas os principais. Esta parte, podendo ser considerada a mais enfadonha, é de extrema importância pois é o que nos dá bases para que conheçamos todos como a nós mesmos o que, no final, fará toda a diferença. A segunda parte centra-se então na resolução dos casos, que parecendo independentes se entrelaçam de maneira misteriosa e intrincada.

Os casos são resolvidos, em grande parte, pelos adolescentes jogadores de Ripper. O que estes jovens não sabiam era que ao trazerem para o jogo casos reais se veriam tão embrenhados na situação como acabaram por ficar.

Neste livro tenho duas personagens que me agradaram especialmente: Amanda, a jovem criado de Ripper, uma adolescente que adora o mistério e que tem a "costela" policial do pai, mas que no fundo tem todos os traços característicos de uma jovem da sua idade. Allende cria, magistralmente, esta personagem, misturando a ingenuidade e os traços mais infantis que um adolescente ainda tenta esconder com os traços mais abertos e aguerridos da personalidade da jovem; e Ryan, ex-navy seal, um homem rijo e treinado com uma frieza e postura típica de um seal, mas que no mostra um lado humano enorme. Todos os seus conflitos internos tornaram esta personagem numa das minhas preferidas (e claro o seu cão ajudou *.*).

Não costumo ler policiais, mas como adoro a autora, e a capa é lindíssima, não resisti e tive que o ler. E ainda bem que o fiz porque foi uma leitura muito boa, que me agradou imenso e que sei que irei ler novamente.
Gostei tanto que obriguei a minha irmã a começar a lê-lo logo a seguir a mim, porque quero muito falar com alguém sobre esta leitura. Não a quero guardar só para mim.

Fãs de Isabel Allende, O Jogo de Ripper é um livro a não perder, que sei que irão apreciar tanto quanto eu.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

[Opinião] - "Todo o Meu Ser" de Anna Funder



"A nossa segunda tarefa era alertar o público britânico para o que estava realmente a acontecer na Alemanha. O mundo tinha de compreender a ameaça que Hitler representava, não só para os Alemães, como também para o resto da Europa. Mas essa era também "actividade de natureza politica", pela qual poderíamos ser enviados de volta, para enfrentar a nossa morte."








Para quem conhece o meu gosto literário este seria um livro ao qual diriam imediatamente "É a tua cara". Pois é, ao ler a sinopse e ao perceber que é um livro que nos remete para a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto e o Nazismo, pensei exactamente o mesmo.
Não sei se foi da altura em que o li (foi a única leitura de Dezembro, que foi um mês cheio de trabalho e com falta de vontade de ler) ou se foi mesmo do livro, mas a verdade é que não gostei, ao ponto de não o terminar (o que é bastante raro).

Este livro é narrado por dois dos personagens, Ruth e Toller, e é através dos seus relatos e pensamentos que vamos conhecendo o que se passou ao grupo de amigos quando Hitler subiu ao poder em 1933.
Alternando entre o presente e o passado vamos ficando a saber as tormentas pelas quais estes personagens passaram e tudo o que fizeram perante o que estava a acontecer pela Europa. Decidiram que não ficariam parados, esperando pacatamente que Hitler e restantes nazis tomassem totalmente conta das suas vidas, não sabendo os contornos de tudo o que viveriam.

A escrita da autora não é fácil e não foi, para mim, cativante. Tive bastante dificuldade em conseguir embrenhar-me na leitura e achei-a realmente entediante. A alternância de narrador e a alternância temporal não facilitaram a leitura, e é algo que geralmente gosto menos em leituras, o que acabou por acontecer com este livro.
Posso referir, no entanto, como ponto positivo o facto de este ser um livro baseado em pessoas reais, o que confere grande autenticidade ao que nos é contado. O tema é, claro, um dos meus preferidos, o que foi logo de inicio o impulsionador para eu querer ler este livro.

Sei que será um livro que fará as delicias de vários leitores, em especial fãs deste tema. Eu tenho-o na estante ainda,  quem sabe um dia volto a dar-lhe uma oportunidade com outro espírito.

domingo, 29 de dezembro de 2013

[Opinião] - "A Provocadora" de Madeline Hunter



"(...) não a vinculei a mim naquele jardim e naquela noite por causa da sua fortuna, Verity. Se fosse só isso que estivesse em jogo, podia ter agido de forma diferente. 
-Então porque razão foi?
- Por si. Eu queria-a. Desejava-a. Há dois anos, era uma rapariguinha submissa e calada. Mas a mulher que me enfrentou em Cumberworth...instigou o diabo que existe dentro de mim e a partir deste momento eu já sabia o que ia acontecer. É a razão masculina mais antiga do mundo e não é nenhuma desculpa....




Fiquei fã de Madeline Hunter quando li "O Sedutor" (opinião aqui). Quando saiu "Deslumbrante", o primeiro livro da série As flores mais raras agarrei-me a ele, mas a verdade é que não foi tão bom como esperava (opinião aqui). Assim admito que peguei neste com alguma expectativa, e felizmente a autora voltou a cativar-me.

Neste livro ficamos a conhecer melhor o conde de Hawkeswell, de quem tivemos um pequeno vislumbre no primeiro livro. Ficamos ainda saber os contornos da história da sua esposa desaparecida, supostamente morta e que, sem que se esperasse, volta do mundo dos mortos (ou melhor, do local onde esteve escondida todo aquele tempo). 
Nesta leitura gostei de vários aspectos, como não seria de estranhar sendo que gostei bastante do livro. Madeline Hunter sabe como contar uma história, sabe como escrever de forma fluida e cativante de modo a que nos embrenhemos na leitura e vivamos juntamente com aquelas personagens. Verity é uma mulher de personalidade forte e vincada o que faz com que esta se diferencie do "protótipo" de mulher fútil e/ou inocênte e ignorante com o qual nos cruzamos em diversos livros deste género. É, claro, necessário ter em conta a sociedade na qual os personagens estão inseridos e contextualizar as acções dos mesmos nessa época. Hawkswell também foi uma personagem da qual gostei. Já em "Deslumbrante" era um personagem enigmático, com a o desaparecimento da sua esposa. Aqui ficamos a conhecê-lo um pouco melhor, a perceber como viveu nos anos em que Verity esteve desaparecida. É um homem carismático, com um temperamento complicado e com alguns laivos de sentido de humor. São suas personagens que crescem bastante ao longo do livro, à medida que a intimidade e o amor começa a despoletar neles também as suas personalidades começam a desabrochar, o que me agradou muito.
Para além destes personagens é bom voltar a ler sobre personagens já nossas conhecidas, como Sebastian e Audrianna e, claro, as suas amigas das Flores Preciosas, todas com as suas histórias de vida enigmáticas. 

Posso assim dizer que foi uma leitura bastante agradável, na qual me embrenhei e com a qual passei um bom bocado. Fiquei curiosa e espero com expectativas elevadas o terceiro livro da série, onde saberemos um pouco mais sobre Celia.
Uma leitura que aconselho.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

[Opinião] - "Cartas da Nossa Paixão" de Karen Kingsbury


" - Farto-me de pensar no Nolan Cook, o famoso jogador de basquete, e na cara da minha mãe quando falou dele. Se eles se amavam, então talvez ainda se amem. Certo?
 Ellie sentiu um arrepio nos braços. Kinzie estava a pensar em Nolan? A ponto de rezar a respeito dele? Aproximou-se mais um passo para não perder palavra.
 - De qualquer forma, quero rezar pela minha mãe. - Os seus ombros curvaram-se um pouco. - Por favor, ajuda-a a ser feliz. Sei que ela está muito triste. Não tem a sua familia, porque se zangaram. E também não tem o Nolan. - Coçou o cotovelo. - Acima de tudo, a mamã não te tem. E isso significa que não tem o seu felizes-para-sempre."


Quando vi publicado o primeiro livro da autora não fiquei com muita curiosidade, no entanto depois de ler algumas opiniões positivas e quando vi este segundo ser publicado e me chegou ás mãos pensei "bem, vou dar uma oportunidade a Karen Kingsbury". Li "Dois anos e uma eternidade" (opinião) e, como devem saber, gostei bastante, tanto que tive que ler este pouco tempo depois.

...Ainda bem que o fiz, mais uma boa leitura e um livro que me encheu o coração. Há alturas em que andamos mais sensíveis, e que por circunstâncias da vida há livros que nos tocam mais, que se calhar noutra altura talvez essa emoção nos passasse  ao lado. Este foi um dos momentos em que um livro chegou até mim, me fez pensar, reflectir e ter esperança.

Não sei se é tema comum, e talvez esteja até relacionado com algo na vida da autora, mas neste livro encontramos a mensagem que também vimos em "Dois anos e uma eternidade": que o verdadeiro amor sobrevive à distância e ao tempo, e que pode ser retomado passado vários anos, pessoas e lugares.
Aqui conhecemos Ellie e Nolan, dois jovens na flor da idade, dois grandes amigos em quem o amor começa a despertar... até ao dia em que a vida da jovem dá uma volta que ela nunca imaginou e se vê afastada do seu porto de abrigo. Antes de se afastarem decidem escrever cada um uma carta e enterrá-las no seu local especial, e só poderiam abri-las juntos, 11 anos depois.
Seguimos assim a vida de ambos, afastados fisicamente um do outro, mas com o "bichinho" do amor sempre no coração. Até ao dia em que, 11 anos depois, têm que abrir as tais recordações...

A mensagem do livro é-me bastante sentida e emocional, pelo que esta foi uma leitura que me aconchegou a alma. Para além disso as histórias de vida de ambos os personagens dão ritmo e intensidade ao enredo, o que é uma mais valia. Para além disso, uma das situações pelas quais Nolan passa é-me bastante próxima, e também isso me fez sentir ainda mais familiarizada com aquele personagem (com a qual me afeiçoei especialmente admito).

Um dos pontos que gostei menos, admito que por razões pessoais, foram as alusões sistemáticas a Deus, à fé e à espiritualidade. Acredito que seja parte importante da caracterização das personagens, e até seja algo com que a autora se identifique, mas eu senti que se chegou a ser em demasia, e por vezes senti que estava algo descontextualizado no momento em que foi utilizada a alusão.

Uma das minhas personagens preferidas, para além de Nolan claro, é Kinzie, uma menina na idade dos porquês com uma ingenuidade e uma bondade que nos tocam especialmente.

Aconselho a sua leitura,após lerem "Dois anos e uma eternidade" pois, apesar de não serem propriamente continuação, as duas personagens desse livro surgem também neste, e têm um papel importante.
Karen Kingsbury, uma estreia este ano, e uma boa surpresa.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

[Opinião] - "Uma Paixão Escandalosa" de Emma Wildes



"- A vossa beleza não precisa de adornos - concordou ele com o seu habitual encanto espontâneo, o cabelo negro desgrenhado pelo vento, o sorriso desenhado numa curva lenta e fascinante dos lábios. Estava bonito de uma forma resplandecente, como de costume, apenas em mangas de camisa, uma vez que tinha tirado o casaco antes de terem sequer partido. - Mas ainda não respondestes à minha pergunta. Que  oferece um homem a uma mulher que não se interessa por pedras preciosas nem enfeites de nenhum tipo?"








Emma Wildes, desde que li o primeiro livro desta série, "Sussurros Ousados" (ver opinião aqui), que decidi que era uma autora a ter na estante. A sua escrita agradou-me bastante e a época na qual escreve cativou-me. Por isso mesmo, assim que consegui li também "Traída pelo Destino", e agora não pude deixar de passear através de "Uma Paixão Escandalosa".

Neste livro,e sendo já o terceiro da série, acompanhamos mais de perto a vida de Vivian Lacrosse, uma das personagens secundárias no segundo volume. É muito agradável pegar num livro, começar a ler, e sentir alguma familiaridade com a personagem principal, sem no entanto saber muito bem o que esperar do enredo.
Lucien Caverleigh foi uma agradável surpresa. Um homem reservado, pragmático e racional, que esconde durante anos o seu sentimento por uma mulher, por amor ao irmão. Esta personagem sofre um desenvolvimento bastante agradável ao longo do livro (característica esta que considero habitual nos livros da autora, e que eu adoro).

Outro ponto bastante positivo nesta leitura foi o momento mais traumático, ansiogénico e violento do livro, o que imprimiu alguma acção ao decorrer da trama, deixando o leitor agarrado às páginas para saber o que se seguiria a seguir.

Para além disto, não posso deixar de referir dois aspectos que são para mim muito relevantes nesta minha análise: como também tem sido hábito da autora, adiciona um segundo par romântico, neste caso Charles Caverleigh e a sua amada, e delicia-nos com a sua estória atribulada de emoções bastante arrebatadoras; e o facto de ser feito o paralelo deste enredo com outras personagens dos livros anteriores, em especial Lilian, melhor amiga de Vivian, e o seu marido Damien, mantendo uma coerência e consistência bastante harmoniosa dentro da própria série.

Emma Wildes brinda-nos, mais uma vez, com um bom romance, com momentos sensuais, apaixonantes e emocionantes.
Aconselho a leitura, não apenas deste livro, mas de toda a série.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

[Opinião] - "Cavalo de Fogo - Congo" de Florencia Bonelli



"Matilde estremeceu diante da beleza da sua carinha suja. Embargou-a uma ternura a que estava habituada, mas que agora, no entanto, lhe pareceu mais profunda, diferente. Não conseguiu evitar acariciar-lhe a bochecha magra, Amava os seus pacientes, não se esquecia das crianças de Masisi, especialmente de Tanguy, por quem ainda batalhava para lhe arranjar uma perna ortopédica, e da pequena Anouk. No entanto, o impulso irrefreável para abraçar e dar colo àquele menino não se comparava com o que tinha sentido pelos seus pacientes. Sentia orgulho pela forma como a observava, com soberba e desafio."






Para quem não sabe, adoro livros grandes. E gosto de trilogias, no entanto, por vezes prefiro esperar que estejam publicados os três livros para os poder ler de uma assentada, não me esquecer de nada importante entre um e outro e, acima de tudo, poder continuar a viver todo o enredo durante mais tempo.

Mas não foi isso que aconteceu em com esta trilogia. Li o primeiro livro, "Cavalo de Fogo - Paris" (ler opinião aqui) o ano passado, pouco tempo depois de ter sido publicado. Fiquei fascinada e ,claro, ansiosa por este. Agora que "Cavalo de Fogo- Congo" chegou finalmente às livrarias, não resisti em lê-lo. 

Retomamos a estória do ponto onde terminámos o livro anterior, e voltamos a caminhar ao lado de Eliah, um mercenário muçulmano, e Matilde, uma pediatra, desta vez no Congo.

O primeiro livro elevou a minhas expectativas, mas este não lhe ficou atrás. O contexto que Florencia Bonelli nos traz é simplesmente arrebatador, e não apenas nas emoções positivas. Vamos, ao longo da leitura, conhecendo uma realidade que é, para a maioria de nós, desconhecida. Somos confrontados com descrições bastante detalhadas e bastante realistas do que é viver no congo. A guerra e todo o contexto clinico e social estão muito bem representados, transportando-nos para um cenário , por vezes, de horror, no qual a crueldade chega até nós com uma força avassaladora. Tenho que ser sincera, é claro que o romance é muito interessante, mas é todo este meio envolvente que realmente me cativa nestas leituras.

O romance, claro, está lá bem presente. Eliah e Matilde continuam a ser os principais protagonistas, o seu amor está constantemente na "ordem do dia", e seguimos esse relacionamento com fervor, querendo saber o que vai realmente acontecer. Mas a ambivalência de sentimento neles e entre eles, todo o "quero-te", "afinal não ter quero", chegou a um ponto que me saturou um pouco. Está sempre a acontecer qualquer coisa que os afasta, ou que os reaproxima.
Algo que me agradou bastante nesta leitura foi conhecermos novas personagens, e melhor algumas que já eram nossas conhecidas mas muito mais superficialmente. Conhecemos melhor Alaman, irmão de Eliah, o que foi para mim uma boa surpresa. Para além disso conhecemos Josephine, uma congolosa bondosa e com um fardo sobre os seus ombros, e as personagens da Missão São Carlos. Uma das minhas personagens preferidas é Jêrome, um menino que perdeu toda a família e que vive na missão. A sua ingenuidade e força cativaram-me especialmente.

Posso assim concluir que, mais uma vez, Florencia Bonelli transporta-nos para um mundo diferente, onde é difícil não sentirmos algo relativamente a qualquer uma das personagens, onde o ritmo é alucinante e contagiante, fazendo com que não queiramos largar o livro até chegar ao final. E aí, a saudade aperta e gostaríamos de ter já nas nossas mãos "Cavalo de Fogo - Gaza".
Para além do romance, e do toque caliente que a autora lhe imprime, este livro é muito mais que isso, é família, amizade, devoção, dedicação e vocação. É um complexo mundo de intrigas, guerras, medos e sofrimento. Uma crueldade que nos assombra, uma bondade e genuinidade que nos transforma.
Aconselho.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

[Opinião] - "Dois Anos e Uma Eternidade" de Karen Kingsbury



"Ryan ouviu as palavras, mas elas não fizeram sentido. Nenhum sentido. Ela não se casara? (...) Fechou os olhos e, em seguida, voltou a abri-los. Não se moveu, não conseguia respirar. O ataque de emoções ao seu coração era tão variado que ele não sabia qual combater primeiro. 
O choque pareceu assumir a liderança."








Nunca tinha lido nada desta autora, e admito que quando este livro foi publicado, e apesar da capa me chamar a atenção, não lhe dei a devida atenção. Até que o segundo livro da Karen, "Cartas da Nossa Paixão", foi publicado e eu olhei para esta autora e para estes livros com outros olhos. E ainda bem que o fiz porque foram uma excelente surpresa.

"Dois anos e uma eternidade" conta-nos a história de Molly Allen e Ryan Kelly. Eles conhecem-se no seu tempo de faculdade. Ambos estudavam longe de casa, ambos tinham pessoas à sua espera na sua terra natal, mas os anos que estiveram em Nashville e, especialmente, o tempo que passaram juntos na livraria A Ponte foram os que mais os marcaram, e que iriam influenciar toda a sua vida. Seguiram os seus caminhos, mas a verdade é que estiveram sempre na mente um do outro, até ao dia em que um trágico acidente os volta a unir... por uma causa e um amor maior.

Não conhecendo a autora não sabia ao que ia, mas a escrita fluida e simples cativou-me facilmente. É uma leitura que nos embala até chegarmos suavemente à última página - quando começamos a sentir saudades daquelas personagens.

Uma história sobre a vida e o destino, sobre o amor verdadeiro que fica sempre, mesmo quando tentamos afastá-lo. Um enredo não apenas sobre o amor entre um casal, mas sobre a amizade, sobre o amor a uma vocação, a um projecto ou a um passado.
Admito que adorei, foi uma leitura que me fez sentir emoções tão diversas que, de certa maneira, me assombrou (de uma forma boa). Fez-me chorar, sorrir, rir e acima de tudo fez-me apaixonar.

Aconselho, porque sei que vão gostar...em especial pessoas apaixonadas e que se emocionam com a generosidade e o amor.

domingo, 3 de novembro de 2013

[Opinião] - "Os Adivinhos" de Libba Bray


"Isaiah era tudo o que restava desses dias felizes em que a familia estava toda junta e bastava entrar em casa para ouvir alguem a rir ou a perguntar, «Quem está a bater à minha porta?» e Memphis agarrava-se com força ao irmão. Se alguma coisa acontecesse a Isaiah não sabia se conseguiria sobreviver. 
Mas tudo aquilo já pertencia ao passado e ele não ia ficar agarrado ao que já não voltava. A noite anterior com Theta dera-lhe uma nova esperança. Ela estava algures naquela cidade e Memphis tencionava procurá-la até voltar a encontrá-la."





"Os Adivinhos" foi o primeiro livro da autora Libba Bray com o qual tive contacto. Admito que não conhecia a autora e que este foi uma boa surpresa.
A capa chamou-me imediatamente a atenção e a sinopse cativou-me, apesar de não ser o género que mais leio - mas ainda bem que assim foi.

Este livro transporta-nos para uma sociedade dos anos 20, o que me agradou imenso. Ao longo do mesmo as descrições da época, em especial dos vestidos e da política naquele momento, vão-nos dando um contexto que talvez nos seja menos conhecido. Achei que estas descrições iam melhorando ao longo da narrativa, o que foi um factor preponderante para me manter agarrada até à última página.

Para além disso leva-nos ainda para um mundo onde o sobrenatural está na ordem do dia. Admito que sou uma piegas e que estas coisas me metem um medo de morte, e sendo um livro que se lê bastante bem foi um pouco o meu "nemesis" e admito que me pôs a olhar por cima do ombro algumas vezes (em especial quando o lia à noite) - porque a verdade é esta "não acredito em bruxas mas que as há, há!".

Conhecemos assim Evie, uma personagem com um sentido de humor por vezes irónico e com quem dei umas valentes gargalhadas ao longo da leitura. Não vou esquecer frases tipicas desta personagem como "Isto é o suco da barbatana" e  "po-si-ti-va-men-te". Vamos ainda conhecendo todo um lote de personagens que têm, de uma maneira ou de outra, importância para o desenvolver da trama. Muitos deles têm os seus dons, com os quais ainda não sabem viver, e ainda não sabem o porquê de os terem... nem o quão importantes poderão vir a ser.

Neste livro o apocalipse aproxima-se, as oferendas estão a ser cumpridas e os crimes sucedem-se. O mistério adensa-se sobre o papel dos adivinhos e sobre a tempestade que aí vem, da qual apenas algumas personagens parecem estar a par... e no culminar de tudo... o mistério mantém-se.

Uma leitura empolgante, assustadora e cativante, com um misto de mistério, suspense e claro fantasia, que não nos deixa largar até à última página e, então aí, o mistério adensa-se e ficamos a querer o próximo livro para saber mais sobre estes personagens e sobre a "tempestade" que se aproxima.
Aconselho a sua leitura. Um livro diferente do qual gostei bastante.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

[Opinião] - "Tabú" de Jess Michaels



"Quando os seus rostos estavam assim tão unidos, não havia maneira de se esconderem um do outro; ela via todo o seu desespero, medo e ainda mais fundo... o facto de que, apesar de tudo, ainda a amava. 
Tal significava que ele podia ver tudo o que ela procurava esconder: o seu desejo, a necessidade dele, a sensação de perda e o seu amor."








Tinha este livro na minha wishlist desde que me lembro - tinha curiosidade na autora e as criticas eram bastante boas. Assim que consegui arranjá-lo agarrei-me a ele... mas a leitura foi lenta (ou melhor, mais vagarosa do que eu esperava).

Não entrei facilmente na história, as personagens não me cativaram e, apesar de não poder dizer que não gostei, não me satisfez.

Nesta leitura conhecemos Cassandra Willows é uma conceituada costureira em Londres, no entanto tem um trabalho que esconde de grande parte da sociedade mas que lhe dá grande fonte de rendimento e, claro, prazer: é criadora de brinquedos íntimos -  e os seus clientes habituais são da grande elite. No entanto guarda para si mesma um segredo que lhe influenciou a vida quando era jovem, e que a atormenta ainda hoje. Dedicou assim a vida ao trabalho e ao prazer de modo a fugir ao amor...
Conhecemos ainda Nathan Manning, conde de Blackhearth, ao regressar a Londres, e desejando vingança de Cassandra, decide chantageá-la e levá-la a ter uma relação ilícita. Até ao dia em que os sentimentos falam mais alto e as grandes verdades vêm ao de cima.

Admito que a personagem masculina me irritou profundamente. Aquela indecisão sentimental e toda a sede de vingança que estava por base de todas as suas atitudes tornaram o inicio do livro diferente daquilo que esperei.
Cassandra não foi, inicialmente, uma personagem com quem empatizasse, mas considero que há um desenvolvimento positivo da mesma ao longo da leitura.

O grande ponto forte é realmente o passado que os une e, acima de tudo, o passado que os separou. É ao deslindar os segredos de antigamente que o enredo se torna mais consistente.

Não foi dos meus livros preferidos, mas foi uma leitura leve e que não me fez desistir desta autora - continuo curiosa com outros títulos da mesma. Sei que muitos irão gostar pois tem todos os ingredientes que um livro destes deve ter: romance, paixão, traição, mistério e sensualidade.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

[Opinião] - "Presa e Predador" de Gordon Reece

"A vida real não tinha nada a ver com romances ou poemas, não tinha nada a ver com paisagens a óleo ou pinturas abstratas de quadrados amarelos e vermelhos, não tinha nada a ver com a organização de sons na harmonia formal da música.
A vida real era o exato oposto da ordem e da beleza: era caos e sofrimento, crueldade e horror. (...) A vida real era um massacre de inocentes todos os dias. Era um matadouro, um talho, decorado com cadáveres de milhares de ratos..."




Ora aqui está uma opinião que não me é fácil de escrever. Quando li a sinopse, e juntamente com a capa, fiquei com expectativas elevadas sobre este livro, no entanto estas não foram totalmente atingidas - mas não posso dizer que não gostei da leitura, porque gostei.

Shelley é uma jovem adolescente que está a lidar com o recente divórcio dos pais quando começa a sofrer de Bullying na escola. Quando é vitima de um ataque, na escola, que quase lhe custa a vida, esta e amãe mudam-se para uma pequena casa de campo, na esperança de terem finalmente uma vida calma e longe de problemas. No entanto, não é assim que as coisas acontecem.

O tema inicial, ou seja, o bullying interessa-me particularmente. É algo bastante actual e que ainda é pouco prevenido e, até mesmo, falado e divulgado. O inicio do livro interessou-me imenso, e agarrei-me àquelas primeiras páginas. A escrita da autora transporta-nos para a escola de Shelley de tal modo que conseguimos sofrer com aquilo que ela sofre. É forte e emotivo e retrata bastante bem o dia-a-dia de algumas crianças. Shelley, tal como muitas, esconde da mãe aquilo de que anda a ser alvo, tenta aguentar tudo sozinha.

Quando ambas se mudam para o campo, ainda antes de meio do livro, pensei o que poderia acontecer depois e que volta daria o autor. O caminho que  este seguiu foi algo inesperado admito, mas não me satisfez.  O enredo torna-se demasiado rápido e bastante descontextualizado, a meu ver. Aquilo que poderia ter sido o grande boom do livro, para mim, foi o que me desagradou. Achei as cenas exageradas, e aquilo que achei que iria sentir como sendo um livro forte até ao fim, desiludiu-me.

O que somos capazes de fazer pela sobrevivência? Mas, acima de tudo, até que ponto deixa de ser sobrevivência e passa a ser algo mais, algo mais maléfico e com malvadez? Aquelas personagens com quem eu tinha empatizado rapidamente passaram para o outro extremo, pelo que comecei quase a ter vontade de as abanar.

Sei que será um livro que muitos gostarão. Tem todos os ingredientes para que muitos leitores se deliciem: tem drama, tem sangue, tem mistério e tem amor fraterno. Mas a mim não me cativou.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

[Opinião] - "O Êxtase de Gabriel" de Sylvain Reynard


"Quando terminou, abraçou-a e beijou-a como um adolescente timido, castamente e com toda a simplicidade. 
- Estás a ensinar-me a amar, e penso que, de certa forma,também eu estou a ensinar-te a amar. Não somos perfeitos, mas podemos ser felizes . Não podemos? - recuou para a olhar nos olhos. 
- Sim - murmurou Julia, os olhos rasos de lágrimas. 
(...)
- Não houve mais ninguém. Os meus braços estavam cheios mesmo quando estava sozinho. Mas, se me dissesses que te tinhas apaixonado por outra pessoa e que estavas feliz, eu deixava-te em paz. Mesmo que isso me destroçasse.(...) Vou amar-te para sempre, Julianne, quer tu me ames quer não. Esse é o meu Paraíso. E o meu Inferno. "



Como sabem andei vários meses a namorar "O Inferno de Gabriel" (cuja opinião podem ler aqui). Após o ter lido, no Verão, percebi que tinha ficado fascinada pelo mundo para o qual Sylvain Reynard nos transporta e que tinha que ler "O Êxtase de Gabriel".
Desde já um enorme obrigada à Saída de Emergência.

Neste segundo livro da trilogia de Gabriel continuamos a seguir o amor entre o professor Gabriel Emerson e Julia Mitchell, sua aluna e antigo amor.
Não vou negar que gostei imenso do primeiro livro, onde conhecemos os personagens, um pouco do seu passado, e como surgiu o amor platónico - que agora se torna real -entre ambos. Tudo isto envolto no fantástico tema "Arte", em especial A Divina Comédia com Dante e Beatriz nos principais papeis (sendo muitas vezes utilizados como metáforas para o amor entre as nossas personagens).

Nesta leitura o romance torna-se mais forte e mais completo. Conhecemos grande e importante parte do passado deles: Julia e os seus medos e Gabriel com os seus fantasmas. Paulina tem nesta leitura um papel fundamental para que percebamos a magnitude do passado de Emerson para si mesmo, e porque razão ele tanto se culpa e procura redenção.
O grande ênfase aqui é  facto de Julia ser sua aluna e, devido a toda uma conspiração, Gabriel ser alvo de dois processos. E é assim que todo o amor entre ambos é realmente posto à prova. O que realmente interessa, o amor ou a carreira de uma vida? Será justo magoar por amor?

Para além das personagens principais ficamos a conhecer melhor os familiares de ambos pois grande parte do enredo passa-se na época natalícia e na altura da acção de graças. Rachel, melhor amiga de Julia e irmã de Gabriel, é por vezes uma lufada de ar fresco, e seu romance com o seu noivo dá um background a todo o enredo principal. No entanto as duas personagens, não sendo principais, que mais gosto são os pais de ambos, ou seja, Tom Mitchell e Richard. Sendo personagens com pouca relevancia todo o apoio que eles demonstram aos filhos durante este livro é de extrema importância.
A personagem que mais me surpreendeu: Katherine Picton (leiam e percebam porquê - não quero fazer nenhum tipo de spoile).

Adorei esta leitura, talvez ainda mais do que o primeiro. Não posso negar que o que me continua a cativar é a contextualização para onde o autor nos remete. Toda a arte, toda a história e os conhecimentos de literatura sobre Dante, todas as alusões a artistas de épocas passadas, faz com que este livro tenha um conteúdo que vai muito para além do romance e do sensual.
Aconselho sem qualquer reserva. Fechem os olhos à comparação entre este livro e "As 50 sombras de grey", porque nem se compara. Atrevam-se...

domingo, 20 de outubro de 2013

[Opinião] - "Os Monstros também amam" de Clara Sánchez





"Antes de conhecer Karin nunca me ocorrera pensar que o mal está sempre a fingir fazer o bem. Karin fingia sempre que fazia o bem, e também o devia fingir quando matava ou ajudava a matar inocentes . O mal não sabe que é mal até que alguém lhe arranca a máscara do bem."









Clara Sánchez, uma autora desconhecida para mim até me ter deparado com este livro. Admito que a capa e o nome foram o que mais me chamaram à atenção, e posteriormente a sinopse fez com que desejasse lê-lo.

A capa pode ser um pouco enganadora, se pensarmos que a jovem retratada será Sandra. Esta jovem está grávida e sente-se confusa em relação aos seus sentimentos por Santi - o pai da criança. Decide então passar uns dias afastada dele e da sua família, num retiro em casa da irmã, numa zona balnear espanhola. Aí conhece Karin e Fredrik Christensen, um casal idoso norueguês, a quem se afeiçoa por a tratarem bem.
Entretanto, Julián ruma ao mesmo local no encalce do casal, e adverte Sandra de que os conhece e, na verdade, eles não são os velhinhos simpáticos que ela julga.

É assim neste ambiente de mistério que Julián e Sandra se tornam companheiros. Sandra envolvesse nesta aventura, inicialmente a medo, mas depois com uma marcada curiosidade por tudo o que vai descobrindo sobre aqueles idosos.
Ao longo do livro vamo-nos afeiçoando às personagens. Admito que em parte até mesmo a Karin e Fredrik. Todo o enredo está envolvido numa densa malha de suspeitos, suspeições e intrigas, que nos guiam pelos tortuosos caminhos alemães e das tropas Nazis.

Quando o mistério se começa a resolver, e as malhas se começam a desenlaçar, torna-se tudo demasiado rápido. Senti que, depois de tudo esclarecido e percebido a autora terminou a escrita abruptamente.


Consigo perceber a escolha do titulo, e parece-me bastante adequado. A escrita é fluida e envolvente, fazendo-nos ler da primeira à última página. O facto de estar dividido em pequenas partes, narradas na primeira pessoa, ora através de Sandra ora de Julián, faz com que tenhamos duas perspectivas diferentes de uma mesma acção, o que torna toda a leitura bastante interessante.
Gostei bastante e aconselho a sua leitura.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

[Opinião] - "O Olhar do Amor: Os Sullivan" de Bella Andre


"Chloe sentiu o olhar do amante, tão intenso que não conseguiu deixar de perguntar a si mesma, mais uma vez, se para ele ela não passaria daquilo, de uma mulher que queria salvar por ser um protector até à medula.
Não, em especial porque Chase nunca tentara subjugá-la; aliás, dera-lhe as ferramentas necessárias para que reconhecesse a sua própria força. Não lhe pedira ele que fizesse uso dos seus talentos, das suas capacidades para se tornar mais bela e mais forte?"








Depois de ter lido "Sedução" de Bella Andre, e de esse ter sido uma leitura da qual não gostei, as expectativas para este livro eram bastante baixas. Agarrei nesta leitura esperando que não fosse semelhante ao outro livro, e felizmente não foi.

"O Olhar do Amor" é o primeiro livro da série Os Sullivan - em cada livro conheceremos e acompanharemos cada um dos irmãos Sullivan. Assim, nesta primeira leitura, é-nos apresentado Chase Sullivan. Através dele ficamos a saber um pouco mais sobre a restante família, o que poderá ser uma "porta aberta" para que queiramos ler os livros seguintes.

Chase, fotógrafo profissional, costumava ser um mulherengo. O mundo no qual trabalhava, onde se encontrava constante rodeado de belas mulheres abria-lhe as portas para a cama delas.
Agora, já na casa dos 30 anos e após um ano sem ter relações com qualquer mulher, Chase prepara-se para se ir encontrar com Ellen, na propriedade da Adega Sullivan, onde irá realizar durante uns dias uma sessão fotográfica. O que ele não esperava era encontrar, num acidente à beira da estrada, Chloe, uma mulher assustada e ferida, que iria mudar a sua vida de uma maneira que ele não previra.

Chloe para além de ser uma mulher bonita e sensual é também amargurada e magoada, desconfiando inevitavelmente dos homens. No entanto, a atracção entre ela e Chase é imediata, deixando-a assustada e fazendo-a recusar uma relação mais séria. No entanto, tudo isso é inevitável, e o fim é previsível.

Grande parte do envolvimento entre estas personagens é sexual, sendo todos os momentos bastante intensos e descritos pela altura com pericia e cuidado. A linguagem é cuidada e adequada à leitura, o que foi para mim uma surpresa agradável. O facto de não ser um livro que se limita a descrever cenas de sexo entre os protagonistas, mas que envolve também sentimentos e, em especial, o passado de Chloe e a sua libertação daquilo que a "prende" aos valores que se agarrou nos últimos anos, foram pontos que me fizeram gostar desta leitura.

Não é uma obra prima, nem posso dizer que adorei. Mas é um livro que se lê bastante bem, é leve com um toque de sexualidade, e que vem quase redimir a autora perante os leitores que desgostaram do primeiro livro dela, "Sedução". Esperemos que deem uma chance a esta leitura.

[Opinião] - "Sedução" de Bella Andre



"Luke meteu -lhe a mão pelas pernas acima.
– Não trazes cuequinhas – grunhiu ele, consumindo-lhe os lábios e enfiando -lhe dois dedos na cona.

– Estás encharcada – acrescentou com reverência, encostando –lhe a piça cada vez mais dura às coxas. (...)

Sentindo -a percorrida por espasmos, Luke abriu as calças, tirou a piça para fora e disse:

– Ajuda -me a enfiar -ta.

Claire arregalou os olhos, incapaz de imaginar que pudesse ser tão grande, apesar de já desconfiar. A piça de Luke devia ter, à vontade, vinte e cinco centímetros de comprimento e quatro de diâmetro. E se não conseguisse absorvê-la toda?"





Se costumam seguir o blog, em especial as opiniões, sabem que não é costume eu dizer que não gostei realmente de um livro. Posso apontar-lhe pontos mais fortes ou mais fracos, mas é raro verbalizar que não gostei. No entanto foi exactamente isso que aconteceu com "Sedução" - não gostei.

A literatura erótica está na moda. As mais variadas editoras apostam neste género literário que tem cada vez mais leitores. E eu não fujo à regra - gosto de um bom livro dentro do romance sensual/erótico (tendo em conta que consigo encontrar diferenças entre o sensual e o erótico). No entanto, não foi o que aconteceu com este livro.

Um dos pontos fortes, e que me fez não desistir do livro a meio, é que é um exemplar bastante pequeno e com letras enormes. Reduzindo a letra ficaria quase um conto, o que faz com que a leitura seja rápida. 

Tudo o resto que vos passo a citar são, para mim, pontos fracos. O ritmo do enredo é alucinante, o romance não é, a meu ver, suficiente, e o sexo é "a toda a hora". as personagens são pouco exploradas e a história muito básica.
A linguagem, não sendo no seu todo má, alguns termos são totalmente desadequados - já o tenho dito em relação a outros livros e traduções - piça e cona são calão que até mesmo num livro erótico consegue tirar o erotismo todo ao que estamos a ler. 

Assim sendo, posso dizer-vos que lhe dei 1 estrela no goodreads. Foi realmente uma leitura que me desagradou. Sei que há leitores que gostam, e ainda bem porque os gostos não são todos iguais. Se tinha em mente lê-lo, se sente curiosidade, pegue e leia... e decida por si se gosta ou não. 
Uma estreia bastante negativa com a autora.





     

terça-feira, 15 de outubro de 2013

[Opinião] - "A Promessa" de Lesley Pearse

"- Pergunto-me muitas vezes como será para mim quando e se conhecer um homem de quem goste verdadeiramente - disse Miranda - Digo a mim mesma que nunca mais voltarei a fazer aquilo enquanto não for casada, mas não sei se serei suficientemente forte. 
Belle olhou para a amiga. Adivinhou que o que ela queria na realidade dizer era que pensava muitas vezes em fazer amor, que o desejava. Todas as outras mulheres daquele estrato social e daquela idade que conhecera eram afectadas e severas, mas Miranda devia ter nascido com uma costela rebelde. Quanto mais a conhecia mais se convencia que nunca se conformaria às estritas regras que a sociedade impunha às jovens. Talvez fosse aquela similitude entre ambas que as fizera tornarem-se tão próximas."






Todos vocês sabem que sou fã desta autora. Geralmente, assim que os livros saem, eu trago-os comigo para casa. Este, gentilmente cedido pela ASA, foi "devorado" nos dias seguintes a ter chegado.

Continuação de Sonhos Proibidos (podem ler opinião aqui), seguimos a história de vida de Belle. Tudo parece correr bem, Belle, casada com Jimmy, tem a sua loja de chapéus e uma vida desafogada, onde o seu passado está tão bem escondido que a sua vida decorre sem sobressaltos. Até ao dia em que tudo muda, e a vida volta a pôr a jovem à prova. Com o inicio da guerra, tudo muda em Inglaterra, os jovens alistam-se e, mais cedo ou mais tarde, começa o racionamento de alimentos. Belle vê tudo aquilo que construiu depois da sua infância sofrida ser destruído, os seus sonhos de outrora tornam-se algo que já não a satisfaz e ela decide ajudar no esforço de guerra como pode...rumando a França.

Lesley leva-nos sempre por épocas diferentes dos tempos modernos, o que muito me agrada. Neste conseguiu fazer com que gostasse ainda mais pois foca um momento da história que eu gosto bastante: a primeira guerra mundial.
Com a sua escrita fluida, com descrições bastante reais, que nos transportam de imediato para aquilo que lemos, a autora consegue, mais uma vez, agarrar os leitores na primeira página, não sendo possível largar o livro até chegarmos à última. E é aí que sentimos saudades de todos os personagens que nos acompanharam.

Mais uma vez, e como já é hábito da autora, Belle é uma mulher sofredora, mas neste livro ela prima pela força e pela coragem que já vem do livro anterior. Vemo-nos envolvidos no triângulo amoroso, e sem saber qual dos dois escolheríamos: se uma grande paixão se um amor companheiro.

Mog continua a ter um papel importante neste livro, muito mais do que Annie que apenas é referida. Havendo tantas referências a esta julgo que devia ter havido algo durante toda a leitura que nos levasse a perceber o que Annie acabou por fazer e em que mulher se tornou realmente, pois fica tudo muito vago à volta desta personagem. Também nesta leitura conhecemos Miranda, amiga de Belle...a sua primeira verdadeira amiga e uma personagem que tem importância no desenrolar do enredo.

Não me alongo mais com receio de spoilar. Só posso disser que adorei, uma duologia incrível e fascinante, que me fez sentir um misto de emoções, e que me arrebatou e satisfez por completo. Aconselho, especialmente a quem já tinha um fraquinho pela Lesley - sei que vão adorar estes livros.