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terça-feira, 19 de junho de 2018

[Opinião] - "De Amor e Sangue" de Lesley Pearse



Bem, hoje trago-vos uma opinião.
Sim sim, sou viva e voltei a ler. Ao fim de 3 anos (eu acho, ja perdi a conta) sem me conseguir concentrar num único livro consegui voltar a ler algo. Demorei 3 semanas é verdade, mas o importante é regressar a algo que tanto prazer me dá. 

Claro que tinha que ser um livro de uma das minhas autoras preferidas a tirar-me deste bloqueio: Lesley Pearse. 

Já tinha começado esta leitura o ano passado, mas como era habitual, não me conseguia concentrar e pu-lo de parte, Desta vez foi diferente. Talvez esteja mais disponível para me focar na leitura, ou apenas com a mente mais desimpedida, a verdade é que me soube muito bem.....e já tinha saudades disto *.*

Passando ao que interessa, a leitura.

Como sempre nos habituou, Lesley Pearse leva-nos para lugares idílicos, para onde é fácil viajar sem sair do sofá. Desta vez transporta-nos para Inglaterra do Século XIX e dá-nos a conhecer a família Renton. Uma família humilde, cheia de filhos,e que por descuido de alguém que é importante para um dos membros da familia se veem a braços com mais um bebe, que criam como seu. 

Apesar de seguirmos esta família durante todo o livro, este centra-se especialmente em Hope, a criança-fada que os Renton acolheram e cuidaram como sua, fruto de um amor proibido. 

Se são fãs da autora sabem que o foco são sempre as mulheres trabalhadoras, fortes, guerreiras e acima de tudo, sofridas. Este livro não é excepção. Vamos conhecendo as fortes mulheres Renton, e todos os infortunios que as decisoes que foram sendo tomadas trazem ano após ano. 

A realidade é que gosto muito da forma como a autora nos bombardeia com situações terriveis, nas quais pensamos que fracassariamos, mas nos enche de esperança com toda a força e coragem que coloca nas suas personagens. 
Outro dos meus pontos favoritos é sempre o contexto histórico que a autora dá ao seu texto. Neste caso a guerra nos Balcãs e na Crimeia e a importância que mulheres como Florence Nightingale, e muitas outras enfermeiras, tiveram naquela altura, em que o mundo era dos homens. 

Uma estória revoltante e avassaladora, mas ao mesmo tempo reconfortante e apaixonante, que nos faz sentir as dores e os amores dos personagens, e nos faz adorá-los como sendo nossos conhecidos, ou odiá-los como se fossem o nosso pior inimigo. E o que é uma leitura se não for algo que nos traz as emoções à flor da pele? 

Aconselho vivamente a leitura. E claro, tenho mais uns "livrinhos nos saquinhos" para pegar. Fãs da autora por aqui?

                                                                                                                                          A vossa: Ni*

domingo, 12 de julho de 2015

[Opinião] - "Raven - Noites de Florença" de Sylvain Reynard


Esta foi uma das leituras mais recentes, e portanto ainda está fresquinho na memória para poder escrever a opinião com as emoções mais à flor da pele.

Se são seguidores atentos sabem que adorei a trilogia de Gabriel, de Sylvain Reynard (podem ler as opiniões dos livros "O Inferno de Gabriel". "O Extase de Gabriel" e "A Redenção de Gabriel") e portanto as expectativas para este livro estavam elevadas.

Não vou dizer que foi um livro que me cativou logo de inicio, foi mais "estranha-se e depois entranha-se", e no fim já só queria que não acabasse.

Custou a entrar na história. A ideia de envolver seres sobrenaturais não me agradou à primeira, aliás, os primeiros capítulos foram quase uma desilusão...até que o príncipe nos cativa e a Raven enche-nos a alma com a sua personalidade única.

Um aspecto que aponto como positivo, e que me fez gostar deste livro, foi a inclusão de personagens que tão bem conhecemos da trilogia que citei acima. O facto deste livro se interligar com a trilogia Gabriel foi ualgo que muito me agradou, e que me faz querer ler o que vem a seguir. Na trilogia inicial sabemos que Gabriel tem uma colecção de arte que comprou anos antes, e que muito gosta. Neste livro ficamos a saber um pouco mais sobre essa colecção, em especial a quem pertenceu originalmente.

Como não podia deixar de ser Sylvain leva-nos até Florença, e enche-nos com a arte italiana. Adoro estes aspectos dos livros deste autor, adoro saber mais sobre a arte de Dante, Botticelli ou Michelangelo.

Acabei por gostar tanto desta leitura que comprei e li de imediato a prequela, "O Principe", e fico ansiosamente à espera da sequela. Fãs de Sylvain Reynard.... não se vão desiludir certamente.


[Opinião] - "A Estrada do Tabaco" de Erskine Caldwell



"A Estrada do Tabaco" de Erskine Caldwell é um clássico da literatura americana, publicado originalmente em 1932. Este livro leva-nos ao Sul dos Estados Unidos na época da Grande Depressão.

Como não podia deixar deixar de ser, todos os livros que tenham contexto histórico me agradam, e admito que não costumo ler muitos livros sobre esta época da história americana. Assim, logo que li a sinopse fiquei interessada em tê-lo e em lê-lo.

Um pequeno livro (são 200 páginas) mas um belo de um murro no estômago. Não foi uma leitura das mais fáceis nem das que mais me cativou, mas lá chegaremos.

A Grande Depressão é retratada neste livro através da família Lester, uma família que vive à beira da estrada do tabaco. O autor conseguiu tirar-me do sério com esta família, conseguiu criar personagens tão abomináveis que é fácil odiá-las.Uma família sem escrúpulos, os seus membros interesseiros, preguiçosos e de uma imbecilidade sem igual. Admito que parte da dificuldade que tive em gostar deste livro foi por desgostar por completo dos personagens. O que de facto faz com que seja um ponto a favor do autor, que consegue passar sentimentos e emoções tão repudiantes através da sua escrita e da criação destes personagens.

Para além disto, o autor mostra-nos uma sociedade desfeita. Uma sociedade que despreza os que tudo perderam, a indiferença perante quem, de um dia para o outro, ficou sem nada.

Sendo uma trágico-comédia, tudo isto nos é contado com humor, o chamado humor negro. Sinceramente, não sou fã de humor negro, apesar de o perceber claro. E este foi o que menos me agradou neste livro, e que me fez dar-lhe 3* no GR. Sim, sem este humor o livro seria certamente mais pesado, mas talvez tivesse preferido que assim fosse.

[Opinião] - "Desculpe Sr. Nobel" de Maria Helena Ventura


Acho que já escrevi e rescrevi esta opinião uma centena de vezes desde que li o livro (ainda em 2014 portanto). Nunca fico satisfeita com a opinião e deixo-a a marinar mais um tempo, mas hoje foi de vez.

"Desculpe Sr. Nobel" foi um livro que pela capa e pela sinopse me cativou logo, mas depois foi uma leitura na qual tive dificuldade em  me embrenhar. O desenrolar da tramas é bastante lento e pormenorizado, e inicialmente as personagens e a complexidade da teia que a autora cria tornam-se confusas e difíceis de "montar o puzzle".

Neste livro, Maria Helena Ventura, envolve-nos num enredo de mistério e de conspirações onde, no entanto, não falta o romance. O ponto de partida é a morte do candidato ao Nobel Thomas Moonland, pelo que vamos sendo sugados pelo mistério que se adensa, pelas conspirações que vão surgindo ao longo da leitura, até ao resolver de toda a investigação. Mas mesmo aqui o livro não termina, continuamos a seguir Joana, que por sua vez vê também a sua vida pessoal a precisar de ser resolvida.

Maria Helena Ventura tem uma escrita muito introspectiva, vai-nos apresentando alguma poesia ao longo do livro. Estas caracteristicas definem a sua escrita, e são algo próprio da autora certamente, mas foi algo que dificultou a que me embrenhasse realmente na trama, que ficasse em suspenso com o que ia acontecendo, e  acima de tudo que desfrutasse ao máximo deste livro.

Uma leitura complexa, que exige um esforço para estarmos presos a ela. Não é uma leitura leve e que deixe a nova mente vaguear livremente. Uma leitura que, para mim, se tornou exaustiva, mas que certamente fará as delicias de leitores que apreciem um livro mais denso.

domingo, 28 de junho de 2015

[Opinião] - "Quando a neve cai" de Maureen Johnson, John Green e Lauren Myracle



Eu sei que estamos no Verão, e o calor tem apertado nos últimos dias, mas esta foi uma das leituras que me acompanhou nos meses frios. E é uma leitura apropriada para esses meses, em especial para os em que a época natalícia se faz sentir.

"Quando a neve cai" é um livro com três contos, de três autores diferentes. Um livro a três vozes, com diversas personagens, três histórias, uma cidade e um final em comum.
São três contos, e portanto o ritmo é rápido, sentindo por vezes que falta algo. Em cada um deles os personagens sofrem diversos percalços, há encontros e reencontros e situações inesperadas, mas que no final tudo se alinha, tudo se entrelinha, mostrando que conseguimos sempre retirar algo bom desses momentos inesperados, que as nossas acções e a forma como lidamos com as situações têm consequências para nós e para os que nos rodeiam.

O final é comum, feito de reencontros, onde o espírito natalício se faz sentir ainda mais do que ao longo dos próprios contos.

Particularizando:

O Expresso de Jubilee

Maureen Johnson leva-nos a conhecer personagens diferentes e extravagantes, personagens que são especiais com as suas taras e manias.
Começamos assim as histórias com Jubilee e a sua viagem que fica por metade, tendo ela que se desenrascar da melhor forma. Este foi o conto que mais gostei, a vertente das manias dos personagens, das personalidades extravagantes cativaram-me. Para além disso, e sendo este um livro YA, gostei particularmente da forma como Maureen aborda os afectos, muito em especial devido à relação entre Jubilee e o seu namorado, Noah, e a forma como Jubilee se sente nessa relação.

Um Milagre de Natal Fantabulástico

Este é o conto de John Green, um autor que me cativou com o livro "A Culpa é das estrelas", que não me prendeu com "À procura de Alaska", que ainda me suscita curiosidade com "Cidades de Papel".... mas que desiludiu com este conto.
Foi o conto que achei mais confuso e desconexo.
Neste conhecemos 3 amigos que tentam desenfreadamente e numa corrida contra o tempo passar a noite numa Waffle House onde estão hospedadas teamleaders.
Compreendo que a ideia seria ser um conto humorístico mas... não me agradou.

O Santo Patrono dos Porcos

Por fim conhecemos Abbie, e o seu namorado Jeb (personagem que surge em todos os contos). Abbie é uma personagem irritante e egocêntrica, que se centra tão demasiado nos seus problemas e no que a apoquenta que se esquece dos outros e do que a rodeia, o que lhe causa outro tipo de problemas...acabando por se tornar tudo numa bola de neve.
Achei que era o conto que teria mais para aprofundar enquanto história, mas que, sendo um conto, ficou ali no meio termo, nem demasiado desinteressante, nem demasiado complexo.


Resumindo...
"Quando a Neve Cai" é um bom livro natalício, uma leitura leve e desprendida, que nos conforta. Uma leitura que me faz lembrar o Natal, que apetece ler com uma manta nas pernas,a árvore de Natsal a piscar, e um copo de chocolate quente na mão.
Se é um livro soberbo, não achei que seja, mas que é uma leitura leve e agradável para aquelas alturas em que queremos um livro mais light e que nos coloque um riso nos lábios, um sorriso no rosto e nos faça soltar uma gargalhada...este é o livro certo.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

[Opinião] - " O Longo Inverno" de Ruta Sepetys


Muitos de vocês sabem o quanto eu gosto de livros com bastante conteúdo histórico, livros baseados em factos reais que nos fazem conhecer melhor a história do mundo em que vivemos, em especial sobre o Holocausto e os anos da Segunda Guerra Mundial.

"O Longo Inverno", sendo um livro ficcional, tem por base factos reais, tendo sido construído através da própria história da autora e através de testemunhos reais de sobreviventes lituanos e finlandeses daquilo que foi a violenta época sobre o regime soviético. (podem ver uma interessante entrevista à autora aqui).

Somos inundados por livros sobre a Segunda Guerra Mundial, sempre com enfoque nas atrocidades alemãs e no inferno que o povo judeu sofreu nas mãos dos nazis, sendo raro focar o outro lado da europa. Esta leitura agradou-me especialmente por focar o outro lado, por nos levar a um pedaço de história que se conhece menos e que é menos retratada, mas que foi um inferno gelado: a invasão soviética aos países circundantes (estónia, Letónia, Lituânia e países nórdicos). E o que o povo lituano sofreu às mãos de Estaline é muito semelhante aos que os Judeus sofreram com Hitler.... mas disto pouco se fala.

É através de Lina, uma jovem lituana de 15 anos, que ficamos a conhecer as atrocidades e as condições desumanas e indignas em que este povo viveu durante a invasão soviética aos seus países. Lina e a sua família, como as restantes famílias lituanas, tinha uma vida comum, trabalhavam e perseguiam sonhos, até ao dia em que a policia soviética entrou de rompante pela casa dentro e lhes roubou os sonhos, e a muitos roubou a vida.
Lina, o seu irmão de 10 anos e a mãe são enviados para um campo de trabalho na sibéria, onde as condições eram desumanas e o frio incalculável, enquanto o seu pai foi enviado para uma das prisões soviéticas. Durante grande parte do livro seguimos viagem com esta família, vamos conhecendo outras personagens que se tornam indispensáveis nesta historia e na força e sobrevivência de Lina. A viagem é feita de comboio, em carruagens para transporte de animais, sem condições e com as paragens mínimas onde mal conseguiam comer ou aliviar as necessidades. Inevitavelmente confrontamos-nos com diversas mortes ao longo do caminho. No final do livro, e já no campo de trabalho, as atrocidades mantém-se, sendo agravadas pelos frio que se fazia sentir. Foi nesta parte do livro que senti um maior crescimento a nivel das personagens, e que o livro se torna, ainda, mais interessante.
O desfecho é rápido, e faz-nos querer que o livro tenha mais páginas, que nos conte mais e mais.

Apesar de Lina ser a personagem principal, e se ser uma jovem guerreira, que nunca baixou os braços pela sua sobrevivência en daqueles que amava, que nunca deixou de tentar chegar até ao pai através da sua arte e dos seus desenhos, de modo a que, um dia, todos soubessem o que viveram naquele local, esta não é a minha personagem preferida.
Gostei muito da personagem Elena, mãe de Lina, uma mulher lutadora na protecção dos filhos, que raramente perdeu a calma e a esperança e sempre manteve uma postura pro activa e de entreajuda para com os que a rodeavam.
Andrius, um jovem pouco mais velho que Lina, foi também uma personagem que muito me agradou. Vamos conhecendo este personagem a pouco e pouco, mas vai-se revelando uma personagem fulcral para o decorrer da trama e para a sobrevivência dos demais, uma personagem que aprende a aceitar o que se passa à sua volta e o que tem que ser feito para que sobrevivam...a qualquer custo.

No entanto, o meu personagem preferido é Nikolay, o guarda soviético que acompanha esta família até ao campo de trabalho. Uma personagem que tem tanto de mau como de bom, uma personagem que nos faz pensar no quão reprovável era aquele trabalho mas até que ponto aqueles guardas, também eles seres humanos, vivam com o que faziam sem se deixar afectar? Até que ponto a consciência lhes pesaria, e até que ponto poderiam, também, ser castigados por não concordar com o que ali se passava ou por criar laços e afinidades com aqueles a quem deveriam infligir sofrimento?

"O Longo Inverno" foi uma pequena leitura cheia de emoções e de significados. Um dos melhores livros que li, atrevo-me a dizer, desde sempre. Adorei. Um dos livros que certamente lerei daqui a uns anos e que me despertará as mesmas emoções. Uma leitura que nos assombra, e nos deixa assoberbados.
Aconselho a sua leitura, em especial a quem, como eu, seja fã deste género de leitura.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

[Opinião] - "Um coração cheio de estrelas" de Alex Rovira e Francesc Miralles



" Mas é importante que saibas que o amor não existe para nos fazer felizes e sim para nos mostrar o que conseguimos suportar. (...)

(...) A qualidade de um coração não reside na quantidade de amor que pode dar a uma pessoa, mas sim na quantidade de pessoas que cabem nesse coração. (...)

(...) Há os que fazem mas não dizem e os que dizem mas não fazem. Para amar é preciso fazer e dizer. É este o grande segredo do amor. O bater de um coração nunca é silencioso."






Esta foi uma das primeiras leituras deste ano 2015 (e das poucas até agora porque ando com um "bloqueio" de leituras) mas foi das poucas que me encheu realmente o coração de coisas boas. É um livro pequeno, de leitura rápida, mas que nos prende na ternura imensa que contém.

Em "um coração cheio de estrelas" conhecemos Michel e Eri, dois jovens orfãos, inseparáveis, até ao dia em que Eri adormece e não volta a acordar, sem que ninguém compreenda o que se pode fazer para ela acordar. Michel não desiste da amiga, de quem gosta muito, e faz tudo para que Eri volte "à vida". Com a ajuda de uma anciã agarra-se à crença de que ele a pode salvar, e que para isso basta encontrar as 9 pessoas que representam as 9 "qualidades-chave" do amor.

Acompanhamos assim ao longo destas páginas a demanda de Michel para que consiga construir um novo coração para Eri, paras que possa voltar a ver as estrelas ao lado dela.
Um história sobre a força que as crenças têm, que aquilo em que acreditamos é o que nos move e que nos motiva a não desistir e a conseguir chegar mais longe. Que são pequenas, grandes, qualidades que fazem as relações que temos, e que é nos outros, e dentro do mais profundo de nós mesmos, que está o verdadeiro amor.

Uma leitura apaixonante, simples mas intensa pelas emoções que nos desperta, pelo sorriso enternecido que nos deixa nos lábios e pela ternura que contém em cada palavra. Um pequeno livro, um grande tesouro...uma mensagem sem tamanho. Um livro que adorei. Recomendo.

" O amor é estar sempre a pôr lenha na lareira. Só assim se mantém o fogo acesso. Parece óbvio, mas há muitas pessoas que se esquecem. É por isso que tantos namoros correm mal. Se queres amar de verdade, lembra-te disto, rapaz: mesmo que estejas cansado, tens de ir buscar um pedaço de lenha para pôr na lareira. Se não o fizeres, de manhã só vais encontrar as cinzas do que foi o teu amor."

segunda-feira, 8 de junho de 2015

[Opinião] - "A Cidade do Fogo Celestial" de Cassandra Clare


Os tertulianos mais atentos já devem ter dado conta que não sou muito dada a livros de fantasia, esse é o género de eleição da minha irmã, não meu. No entanto, Cassandra Clare cativou-me e, quando peguei neste último livro, "A Cidade do Fogo Celestial", percebi que depois de quatro anos a acompanhar estas personagens, a lutar ao lado delas e a apaixonar-me por elas, que tudo isto ia acabar.... e imediatamente senti um vazio.

Não vou negar que gostei ainda mais da série "As origens", porque gostei, mas este último livro superou todas as minhas expectativas, posso dizer que foi a "cereja no topo do bolo".

Sendo que adorei a trilogia que indiquei anteriormente, e que para mim era mais complexa que esta série dos instrumentos mortais, em "A Cidade do fogo celestial" as séries convergem, o que elevou este livro a um patamar que me agradou substancialmente. E, assim sendo, deixo um conselho...não leiam este livro sem lerem a trilogia d'As Origens pois vai ficar a faltar-vos qualquer coisa.

Este é o livro onde tudo se compõe, onde os verdadeiros valores se levantam, onde se renasce das cinzas, onde se tomam as decisões fulcrais. É um livro cheio de emoções, e que nos faz pensar que cada acção nossa tem uma consequência, que o que fazemos pode mudar o amanhã.... e que acima de tudo não vivemos sós, que aquilo que somos influencia quem nos rodeia, e muda o mundo onde vivemos.

Inevitavelmente personagens que nos são queridos morrem, personagens novos ou menos relevantes ganham uma importância que faz com que os vejamos com outros olhos, e as paixões antigas por personagens que nos tocaram de forma especial agudizam-se. A trama vai-se tornando mais lenta, de modo a culminar tudo o que vivemos ao longo dos 6 livros,  mas nunca ficando a história fechada totalmente. Cassandra Clare pode voltar a pegar neste mundo, se assim o pretender.

A minha parte preferida é quando os dois mundos se cruzam, o mundo antigo d'As Origens, e este mundo actual dos Instrumentos Mortais, onde tudo se monta, se constrói...onde tudo faz sentido.

Um livro onde as emoções se apoderam de nós, um final arrasador e agridoce, que me encheu o coração mas deixou um vazio de saudade daquelas personagens e daquele mundo.

Aconselho esta autora, e aconselho muito a leitura destas séries.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

[Opinião] - "Cavalo de Fogo - Gaza" de Florencia Bonelli



"Cavalo de Fogo - Gaza" é o terceiro, e último, livro da trilogia "Cavalo de Fogo" de Florencia Bonelli, e posso dizer que esta foi uma trilogia que eu AMEI, uma das trilogias que mais gostei e que vou relembrar com carinho até, um dia quem sabe, tornar a ler.

Gostei muito dos livros anteriores, cada um à sua maneira (podem ver as opiniões no blog sobre Cavalo de Fogo-Paris e Cavalo de Fogo- Congo e ), mas esta leitura foi ainda mais prazerosa. É um sentimento agridoce: é muito bom, é o encaixar de todas as peças dos livros anteriores, é no final ver a obra concluida, e que boa obra... mas por outro lado fica uma saudade das personagens, das paisagens e de tudo o que vivemos nas páginas destes 3 livros.

Continuamos a acompanhar a vida de Eliah Al Saud e Matilde Martinez, bem como dos diversos personagens que fomos conhecendo ao longo dos livros anteriores.
Eliah Al Saul é dos personagens masculinos que mais me cativaram nas leituras dos últimos anos, e neste livro não é excepção. Não sei se são como eu mas, ao ler, sonho. E Al Saul, apesar de todo o seu passado, e de, claro, ter cometido erros, alguns gravíssimos, seria o homem que eu gostaria de ter apaixonado por mim: forte, corajoso, romântico, sensual...mas acima de tudo muito apaixonado pela mulher que lhe arrebatou o coração.
Matilde Martinez é uma personagem feminina aparentemente frágil mas com uma força e uma garra de guerreira. Delicia-me o facto de ser pediatra e de não ser a mulher fútil e estupidamente apaixonada que quase se torna acéfala. É uma mulher inteligente, sofrida, e que com a vida se desligou dela para dar o melhor de si aos outros. É uma mulher dorida e ferida, mas que neste livro tem um crescimento importante. A sua relação com todos os personagens é fundamental para a complexidade que a sua personagem adquire.

Não posso deixar de referir personagens que adorei, e que têm um papel relevante nesta última leitura: Taylor, que depois de ter um papel odiado em Cavalo de Fogo- Congo, nesta leitura se redime, tornando-se num personagem do qual gostei bastante; Diana, a guerreira sérvia que foi salva por Al Saud, não sendo uma personagem muito explorada nos restantes livros, neste livro a sua história pessoal é aprofundada e a componente psicológica desta personagem é bastante enfatizada, tornando-a numa personagem por quem sentimos bastante carinho; Jerôme, já me tinha cativado no livro anterior e neste assume uma importância maior, sofremos com o sofrimento que esta criança passa; e, não pelos melhores motivos, mas adorei a complexidade da personagem de Moses, o ódio que se consegue sentir por este personagem é muito grande, e o enredo que a autora criou à volta de Moses é, simplesmente, brilhante.

Para além dos personagens, que são muito bem conseguidos, conseguimos sentir que os conhecemos, associamos caracteristicas fisicas mas a autora consegue levar-nos a explorar o psicológico de cada um deles; adoro o facto de sentir, especialmente desta leitura, que há uma ligação grande e palpável com os livros anteriores. A acção de Paris e do Congo continua a existir nesta leitura, nunca sendo descurada.

O conteúdo histórico desta trilogia também me agradou bastante. O conflito israel-palestiniano era um tema bastante desconhecido para mim, e com esta trilogia pesquisei mais sobre o assunto, e posso dizer que fiquei a saber bastante mais sobre este pedaço da história mundial recente.

Esta é uma trilogia, para mim, bastante completa e que me encheu as medidas por completo. Tem acção, mistério, intriga, conteúdo histórico, tem ritmo, tem momentos mais densos e momentos mais leves, tem humor, romance, sexo, sensualidade... esta trilogia tem tudo aquilo que faz com que eu adore uma leitura, me embrenhe nela e não queira que acabe.

Não há palavras que cheguem para vos explicar o quanto gostei desta trilogia, e este último livro foi a cereja no topo do bolo. Aconselho sem qualquer dúvida,uma trilogia completa, repleta de emoções, e que não deixará o leitor indiferente.

domingo, 19 de abril de 2015

[Opinião] - "Envolvidos" de Emma Chase



"Envolvidos" de Emma Chase foi uma lufada de ar fresco nas leituras de 2014. Quando olho para a capa, colorida e "fresca" fico bem disposta e imagino algo leve, descontraído e divertido...e é isso mesmo que "Envolvidos" é.

É um romance, é leve, feminino e vibrante. A base do livro não é muito diferente dos romances que estamos habituados a ler: homem rico, ambicioso e podre de bom, conhece uma mulher que lhe corta a respiração e puft, amor entre eles. Mas "Envolvidos" tem algo que eu gostei especialmente: a autora centra-se na perspectiva masculina, o que difere da maioria dos livros que leio deste género. Acredito que não tenha sidio fácil para a autora "pôr-se" no lugar do homem mas fê-lo com mestria e a leitura é bastante prazerosa.

A autora revela-nos Drew de uma forma tão pura e tão natural que é fácil gostarmos desta personagem. Como a leitura ocorre da perspectiva de Drew somos confrontados com o dia a dia e o pensar masculino, a descomplexidade com o qual alguns homens vivem, a forma como pensam as situações e até mesmo o modo descomplicado como complicam o que lhes acontece. É interessante ver como a personagem de Drew cresce ao longo do enredo, como passa do mulherengo, giro e bem sucedido, ao homem apaixonado e romântico, e claro até ao coração destroçado e alma deprimida que encontramos no inicio do livro.

Kate, por sua vez, agradou-me bastante por fugir ao estereotipo de mulher tonta, frágil e ingénua que em muitos livros encontramos. Kate é forte, determinada e ambiciosa, sabe o que quer e não cai de amores ao primeiro embate. O facto de vermos as coisas pela perspectiva de Drew também nos ajuda a distanciar desse estereotipo, fugindo assim aos típicos pensamentos que as mulheres têm quando conhecem um homem e se apaixonam por ele.

Posso ainda dizer-vos que a minha personagem principal não é nenhuma destas duas que vos falei, ou seja as principais, mas sim Mackenzie, a pequena e astuta sobrinha de Drew, que nos faz soltar umas belíssimas gargalhadas com a sua perspicácia, infantilidade e genuinidade.

Assim, posso dizer-vos que foi uma leitura muito agradável, fantástica para soltarmos o bom humor e darmos umas grandes gargalhadas. Uma leitura leve e com um bom ritmo que nos faz afastar do mundo durante um bom bocado. Aconselho.


terça-feira, 14 de abril de 2015

[Opinião] - "Adivinha Quem Sou" e "Adivinha Quem Sou Esta noite" de Megan Maxwell



Se seguem o blog regularmente sabem que fiquei totalmente fã de Megan Maxwell com a sua primeira trilogia, Pede-me o que quiseres. Foi das melhores trilogias que li dentro do género, o que fez com que as expectativas com livros da autora tenham ficado elevadas.

Talvez demasiado elevadas.

Não resisti a ler "Adivinha Quem Sou" e "Adivinha Quem sou Esta Noite" assim que tive os dois em meu poder. Esperava mais do que a autora nos tinha trazido na primeira trilogia. E, de certa forma, desiludiu-me.
Estas duas leituras não me "encheram as medidas", sinto que faltou garra, faltou sexapeal. Faltou o que me cativou nos primeiros livros: serem arrojados e irem mais além no que toca ao sexo e aos temas abordados neste género.

São livros sensuais, com personagens fortes e guerreiras, como Megan Maxwell nos habituou. A fogosidade da personagem feminina e a sua personalidade forte são, sem dúvida, pontos fortes nestes livros. São leituras que envolvem romance, sensualidade e sexo mas, de certa forma, senti que faltava algo. São leituras menos ritmadas, mais romanticas e quotidianas do que estava à espera. Durante a acção vai havendo algumas lacunas, em especial quando passamos do primeiro livro para o segundo. Não sei se devido à tradução ou se será efectivamente algo que já vem dos livros originais, mas ao passar do primeiro para o segundo livro notei algumas falhas, em especial em relação à forma como denominam determinadas personagens, o que dificultou a leitura do segundo volume.

Não deixo de gostar da autora claro, e ficarei à espera que, novamente, um livro de Megan Maxwell me arrebata, mas estas duas leituras baixaram a fasquia que os primeiros tinham colocado bem alto.


[Opinião] - "Eleanor e Park" de Rainbow Rowell



Terminei esta leitura há uns dias e decidi escrever já a opinião, apesar de não saber ao certo se irei ser capaz de expressar de forma certa aquilo que achei e senti com esta leitura.

Demorei semanas a lê-lo, e ele não é um livro grande, nem por sombras. Demorei porque inicialmente a leitura não me cativou. Inicia-se com um ritmo demasiado lento para o meu estado de espírito na altura, e como não me estava a conseguir embrenhar-me na estória, estive quase a colocá-lo de parte. E ainda hoje não sei se fiz realmente bem em levar a leitura até ao fim. Porquê, pergunta vocês.... porque talvez conseguisse extrair algo mais profundo deste livro se o lesse noutra altura, com outro estado de espírito.

Não me interpretem mal. Eu gostei do livro, mas não fiquei fascinada. Não é um livro que, tendo tantos outros para ler, eu volte a querer pegar nele e desfolhá-lo. Mas gostei.

Este é um livro escrito de forma leve, sobre o amor adolescente. Mas é mais do que isso, é um livro que retrata, de certa forma, o que é sermos diferentes, a discriminação e o bullying nas escolas. É certo que o grande enfoque é que o amor é um superpoder, e que nos ajuda a ultrapassar os problemas, e claro o amor adolescente, arrebatador e confuso, que toma as nossas vidas de assalto.

Conhecemos Eleanor, uma jovem nova na escola que sofre de bullying na escola devido à sua estrutura física e à forma como se veste. Também fora da escola Eleanor tem uma vida difícil, a qual tenta esconder.
E, claro, como o titulo indica conhecemos Park, um jovem coreano, pouco social, mas que tem na família alguma estabilidade que a vida de Eleanor não tem.

Park refugia-se nos livros, e faz-se acompanhar de banda desenhada. E é através dos livros que, lentamente, se aproxima de Eleanor e que, de certa forma, a ajuda a "refugiar-se" da vida que tem, é através dos livros e da música que consegue chegar a ela.

Sinceramente, o livro foca-se bastante no amor, e eu gostava que se tivesse aprofundado o pouco mais os temas mais "negros" que este livro contém. O facto de sentir esta leitura como uma leitura tão leve desiludiu-me um pouco. No entanto, o que mais me desiludiu foi o final. É, de certa forma, inesperado...ou talvez não. Mas fica quase que..inacabado. Podemos arranjar imensas explicações e significados para isso fazer, ou não, com que seja uma leitura melhor ou pior para nós. Para mim foi um ponto negativo. Larguei o livro com uma sensação de que ficou a faltar algo.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

[Opinião] - "Anne Frank:Biografia Gráfica" de Sid Jacobson e Ernie Cólon



Começo esta opinião a fazer uma confidência: eu não gostei do Diário de Anne Frank. Adoro livros sobre o Holocausto e sobre o nazismo, mas não gosto de diários, e consequentemente não gostei do diário de Anne Frank. Quem sabe um dia mais tarde volto a pegar nele e venho a gostar.

Mas não resisti a "devorar" este livro. Sid jacobson e Ernie Colón ilustraram o conhecido diário de Anne Frank, transformando a biografia de uma das jovens mais conhecidas do mundo num livro de banda desenhada.

Adoro banda desenhada, adoro poder associar os desenhos às falas e às situações. Poderíamos pensar que este livro seria mais leve por ser uma banda desenhada, mas nem por sombras isso acontece. As imagens tornam ainda mais real aquilo que sabemos que aconteceu. As imagens tornam ainda mais reais as personagens desta trágica história, dão-lhes um rosto, que mesmo muitos de nós conhecendo, podemos nãp associar de imediato durante a leitura. 

Os desenhos estão muito bem conseguidos, transmitem uma emoção e expressividade que nos toca profundamente. 

Um livro que tenho imenso orgulho de ter na minha estante. E que recomendo a que todos o tenham. 
Adorei.




quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

[Opiniao] - "O Lago Perdido" de Sarah Addison Allen



Este ano foi um ano de estreias.... tenho todos os livros de Sarah Addison Allen mas ainda não tinha lido nenhum.
Ao ter recebido "Lago perdido", gentilmente oferecido pela QE, decidi estrear-me com a autora....e foi uma estreia agridoce.

Um livro sobre recomecos, sobre a solidao, a perda e a forca em seguir em frente. A familia de Eby é conhecida por estar amaldicoada, todas as mulheres desta familia ficaram viuvas cedo demais, e o mesmo aconteceu a Eby. Esta mulher de espirito forte viveu os melhores anos da sua vida com George, no Lago Perdido, onde construiram o seu mundo. Quando George morre, Eby mantém o Lago Perdido, até ao dia em que decide vendê-lo. Mas aquele local é importante nao apenas para Eby mas para todos os que lá passaram, e que não querem perder aquele local, para qualquer pessoa que nao saiba dar valor àquele sitio mágico e especial.

Kate, após perder o marido, e porque tendo uma filha para criar não se pode enterrar na depressão, decide ir até ao Lago Perdido.

As personagens são interessantes e complexas, e é dificil não nos apaixonarmos por elas. Devin, a filha de Kate, é uma personagem fantástica, excentrica e impossivel de resistir. Também Eby é uma das minhas personagens preferidas pela sua forca, paixao e dedicacao ao longo da vida. Mas também personagens como Lisette, Selma, Bulahdenn e Wes são fascinantes.

A história é interessante e apaixonante, e as descricoes deixam a nossa imaginacao passear pelas belissimas paisagens que Sarah Addison Allen idealizou. No entanto a vertente mágica da história desagradou-me. Achei demasiado exagerado, chegando a achar ridiculo, e esse ponto fraco (a meu ver, claro) fez com que até certo ponto me apetecesse largar o livro.

Esta leitura deixou-me de pé atrás em relacao a ler os outros livros da autora. Talvez lhes dê uma oportunidade, mas a vertente demasiado mágica não me agradou mesmo.

[Opiniao] - "Pecado" de Sylvia Day


Estreei-me com a autora Sylvia Day com "Pecado". Li opiniões boas sobre esta autora, mais precisamente sobre a trilogia crossfire, mas ainda não a tinha lido. Tinha algumas expectativas, e a leitura ficou aquém delas.

Neste livro conhecemos Jessica Sheffield e Alistair Campbell. Jessica, uma jovem noiva, assiste escondida, numa cena de puro voyerismo, a um encontro sexualmente escaldante entre Alistair e uma mulher mais velha. Após esse encontro, Jessica prossegue com o seu casamento, mas não consegue esquecer o que viu naquela noite. Alistais também nao consegue esquecer Jessica, nao depois de ter percebido que ela o vigiara naquela noite, mas com ela casada nada poderia fazer para a conquistar, decidiu parti para a India.
Sete anos depois, após Jessica enviuvar, reencontram-se, e é no barco de Alistair, com uma Jessica que de menina se tornou mulher e um Alistair muito maduro e adulto, que deixam a paixao reprimida tantos anos ganhar asas.

Gostei do livro, mas não foi dos meus preferidos. Sou fã de algumas séries de romance de época, e depois de ler autoras como Julia Quinn, a leitura deste livro não me fascinou. Com uma contextualizacao q.b, descricao suficiente tanto da época, como das personagens e mesmo das situacões romanticas e escaldantes, "Pecado" não me deixou fascinada, senti que faltava qualquer coisa.

No entanto, aponto como ponto forte a abordagem de temas pouco comuns neste genero de livro, como a violenca doméstica, a infertilidade e a propstituicao. São temas fortes e que conferem ao livro uma complexidade que, sem ela, o livro poderia ser bastante superficial.

Será, sem dúvida uma leitura que agradará às fãs deste género literário, e que não defraudará as fãs da autora.

[Opinião] - "O Despertar do Mundo" de Rhidian Brook



"O Despertar do Mundo" de Rhidian Brook, um livro que me chamou a atencao assim que a ASA anunciou o lancamento.
Nos meus anos recebi-o de prendinha e... não resisti a lê-lo: mesmo um tema dos que eu gosto.

Este livro leva-nos até à Alemanha do pós-guerra, contado com base nas experiencias do avô do autor. São muitos os livros que abordam esta época. As grandes guerras são temas dos mais variados livros, com os mais variados géneros, com mais ou menos contextualizacao histórica, mais ou menos ficcao, mas na sua maioria todos nos dão a perspectiva da Alemanha como o inimigo, e de como sacrificaram e atormentaram judeus. "O Despertar do Mundo"  traz-nos uma perspectiva diferente. Rhidian Brook conta-nos o "lado" dos alemães no pós-guerra, os alemães que ficaram nas mãos dos países vencedores e que viram o "seu" país ser dividido e ocupado por ingleses, americanos, franceses e russos; alemães que eram contra o seu proprio regime, alemães trabalhadores e que sempre se tentaram manter à parte do que o nazismo era, fazia e significava; alemães esses que viram as suas casas pilhadas, as suas vidas roubadas, que passaram fome e violência das mais variadas formas.

Mas mesmo nas piores alturas, e nos piores massacres, há sempre pessoas bondosas e que estão dispostos a dar a mão ao proximo. É o que acontece neste livro: o coronel Lewis Morgan muda-se para a casa que outrora fora de Herr Lubert e da sua filha, Freda. Mas, ao contrario do que a sua mulher, Rachel, preferiria, e ao contrario do que os seus compatriotas fizeram, Morgan deixa os proprietários da casa ficarem a viver no sótão da casa.

E no seio de uma alemanha derrotada, perdida e esfomeada, onde vencedores e vencidos vivem lado a lado, os mistérios adensam-se, as traicões acontecem e a paixão aparece, porque mesmo quando tudo está perdido...a vida continua.

Um livro cheio de emocões e de personagens interessantes. Uma perspectiva emotiva e diferente, a visao do lado dos perdedores, onde deixam de ser o inimigo, e passam a ser, também eles, vitimas do seu regime.

Uma leitura que aconselho, em especial aos fãs desta época.

[Opinião] - "O Leitor" de Bernhard Schlink



"O leitor" de Bernhard Schlink, é um dos mais aclamados livros, e com tantas opiniões positivas sobre ele decidi lê-lo assim que me chegou às mãos.

Um livro pequeno e de leitura rapida, mas que talvez por ter expectativas tao elevadas não foi o que eu estava à espera.

Nesta leitura, que se inicia nos anos 60, conhecemos Michael Berg, um adolescente de 15 anos, que com a sua personalidade em construcao, e com diversas dúvidas proprias da idade, se apaixona por Hanna Schmitz, uma mulher madura e vivida com 36 anos. Ao longo de semanas e meses o romance entre ambos vai-se desenvolvendo e adquirindo um ritmo: tomam banho juntos, Michael lê para Hanna, e finalmente fazem amor. Hanna é, sem duvida, uma mulher fugaz, mas é também uma mulher misteriosa, e que esconde em si o seu passado.
Numa segunda parte do livro ficamos a conhecer esse mesmo passado, quando, após diversos anos sem a ver, Michael a revê num processo de acusacao de ex-guardas de campos de concentracao Nazi. Nesta segunda parte do livro desenvolve-se assim uma reflexao sobre a ocupacao nazi, mais precisamente sobre o trabalho de quem estava encarregue de "se ocupar" dos judeus nos campos de concnetracao. Michael vê-se assim dividido entre as suas crencas sobre o que se passava, e o facto de recriminar a geracao dos seus pais, e nesse caso recriminar/culpar Hanna, e o amor que ainda sente por Hanna, e tudo o que viveu com ela.
Para além disso Michael descobre um segredo de Hanna que a poderá salvar do julgamento e da pena, mas Hanna nao quer que esse segredo seja revelado. Michael vê-se, novamente, na indecisão de contar o segredo e salvar Hanna, indo contra a sua vontade, ou aceitar a vontade de Hanna e vê-la ser condenada.

Uma leitura que nos faz pensar, ao contrario da maior parte dos livros sobre este tema, sobre a perspectiva dos guardas dos campos de concentracao e de quais as suas motivacoes e sentimentos sobre o que faziam.

Este é um livro com diversas nomeacoes e que tem opiniões muito positivas, mas não o adorei. Achei um livro com um ritmo bastante monótono e não consegui sentir empatia pela Hanna, nem antes de saber o seu segredo, nem depois de o conhecer e de saber o seu passado. Gostava de conseguir ter-me colocado no lugar de Hanna, e de ter realmente conseguido "ver" o outro lado. Mas não consegui, na verdade só consegui continuar a recriminar Hanna e todas as "Hannas" que algum dia existiram.

Fiquei curiosa para ver o filme, e fá-lo-ei brevemente.
Quanto ao livro, aconselho, em especial aos leitores mais reflexivos. Será, sem dúvida, em leitura gratificante.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

[Opinião] - "A Partir deste momento" de Bella Andre




"A Partir deste momento" é o 2º livro da série "Os Sullivan" na qual Bella Andre nos vai dando a conhecer os irmãos Sullivan, um a um.

Neste volume conhecemos Marcus, o irmão mais velho que assumiu as responsabilidades e o papel de homem da casa aquando a morte do pai. Sempre achou ter uma vida perfeita, até um desgosto amoroso o ter levado a pensar em adoptar, por momentos, uma vida mais boémia.

Claro que, como não poderia deixar de ser, conhecemos também uma bela mulher, Nicola. Nic, como é conhecida, aparenta ser uma jovem desinibida, social, e com tudo aquilo que sempre quis, mas na verdade camufla assim uma grande desilusão do seu passado.

Ambos estão magoados, e ambos juram a si mesmos que vai ser apenas uma coisa passageira, one night stand, e nada mais... até que já não conseguem viver um sem o outro.

Á semelhanca do livro anterior, Bella Andre traz-nos uma história leve, sensual, com bastante sexualidade à mistura, e algum conteudo (não muito nem muito complexo). Um ritmo agradável, com twists suficientes para nos agarrar à leitura mas, para culminar, um final feliz - tal como num conto de fadas.

Bella Andre comecou, comigo, com o pé esquerdo e estatelou-se ao comprido, redimiu-se um pouco com esta série, mas continua a não me deslumbrar. Lê-se bem, distrai, tem sensualidade, sexualidade e paixão... mas continuo a achar que não é das minhas autoras de eleicão neste género.

[Opinião] - "Vejo-te" de Irene Cao


Esta é uma opinião dificil de escrever, isto porque este foi um livro muito...neutro: não gostei nem desgostei - sinceramente nao nada. Dentro do género é um livro que tem tudo, tem os componentes certos mas que...faltou alguma coisa.

Este é o primeiro livro desta trilogia, e foi também o único que li. Neste conhecemos Elena, uma jovem bastante banal, que tem uma vida normal, com as suas diversões, saídas e relacões. Elena é artista e o seu actual trabalho é um fresco num palácio de Veneza... onde acaba por conhecer um inquilino que abana a sua pacata vida: Leonardo.

Mas Elena tem a sua cara-metade, Fillipo, o que faz com que exista nesta leitura um trio amoroso, uma mistura de sentimentos. Mas... nem isso empolgou a minha leitura. Nem Leonardo nem Fillipo despertaram qualquer interesse, a personagem de Elena não me arrebatou, e mesmo as cenas eróticas são um pouco...sem sal.

Não é uma má leitura, e vai agradar a muitos leitores. Tem um bom ritmo, não é monótona e distrai... mas dentro do género achei q.b o suficiente, mas não memoravel.

E vocês, ja leram?

[Opiniao] - " Oscar e a senhora cor-de-rosa" de Eric Emmanuel Schmitt


Quando peguei neste livro, fi-lo com altas expectativas. Era um livro pequeno, com uma capa leve mas com uma temática não tão leve, e que eu gosto bastante de ler (ou nao fossem os livros "A culpa é das estrelas" e "o menino que sonhava chegar à lua" dos meus livros preferidos - opiniões aqui no blog).

Em "Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa" conhecemos Óscar, um jovem de 12 anos que se confronta com uma leucemia. Na sua luta contra a doenca conhece "a senhora cor-de-rosa", uma voluntária que o ajuda a passar melhor o seu tempo e a lidar melhor com a doenca que ele tem e os tratamentos que tem que fazer.

Só por isto achei que havia pano para mangas para um excelente livro, na verdade o papel dos voluntários num servico hospital, em particular um serviço de pediatria oncológica, têm um papel fundamental, tanto para as criancas como para os pais, e até mesmo para os profissionais de saúde.

A personagem da senhora cor-de-rosa tem todas as caracteristicas para ser uma boa personagem, e está muito bem conseguida. Uma pessoa simpática, sensível, que ali está para ajudar o próximo, sem nada pedir em troca, e que, sem camuflar o lado mau da situacao, com uma pitada de humor torna o dia do òscar um bocadinho melhor.

A personagem do òscar, por sua vez, não me agradou demasiado. Isto é, achei o òscar demasiado infantilizado tanto para a idade que supostamente tem como para a doenca da qual padece. Claro que a doenca nao tem idades, nao é isso... uma crianca numa situacao destas tende a "crescer" mais rapidamente do que seria de esperar, e nao sinto isto nesta personagem (claro que nem todos sao assim, mas acho que esperei algo mais deste livro).

Para além disso, neste livro o grande enfoque para que o Óscar lide com a doenca é Deus, ou seja, as cartas que Óscar Lhe escreve. É claro que a fé e as crencas de cada um são uma arma poderosa na sua adaptacao à doenca, seja que crenca for, e respeito isso claro, mas para mim foi um ponto menos positivo neste livro, pois não me consegui identificar em nada com a leitura.

Quando tudo fazia prever que fosse um livro "pesado", este é um livro leve e algo, superficial, p qoe poderá agradar a muita gente (e fazer imensos discordar da minha opinião). Mas para mim foi uma desilusão, esperava muito mais e não me fez sentir "nada".